sexta-feira, junho 03, 2016

Resenha: Sonhos partidos

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Sinopse: Baton Rouge, capital do estado da Louisiana, nos Estados Unidos, é uma cidade conhecida por seus churrascos no jardim, tardes quentes de verão, barris de cerveja gelada e muitos fãs de futebol americano. Mas no verão de 1989, quando Lindy Simpson, uma das garotas mais bonitas do bairro e estrela das pistas de corrida, é estuprada perto de casa, fica claro que os subúrbios bucólicos de Baton Rouge também têm um lado obscuro.
Para uma vizinhança tão pequena, os suspeitos do crime são muitos. Entre eles o narrador da história, um adolescente obcecado por Lindy que mora na casa em frente à da garota. E é por meio de suas lembranças que somos levados a entender como términos de relacionamentos, culpa e amor podem transformar a vida de maneiras irreversíveis.
Combinando o encantamento da infância com a história de um crime violento, em uma prosa perturbadoramente bela, M. O. Walsh analisa os momentos do passado que afetam de forma mais profunda a vida adulta. Uma estreia excepcional que combina suspense com reflexões filosóficas sobre memória, humanidade e verdade.
"Eu era apenas um garoto, nem sequer um homem, e ainda assim, de repente, senti que a partir daquele momento era meu dever defender aquela garota específica contra a menor ameaça que pudesse surgir." (pág. 36)
É muito bom quando um livro te pega já no primeiro capítulo, e este foi um caso. Já iniciamos com o narrador nos apresentando um pouco sobre o caso do estupro de Lindy Simpson e nos informando que era considerado um dos suspeitos. Então a história retrocede mais um pouco e o contexto começa a ser explicado. 

Diferente do que possa parecer pela sinopse, não é um livro de romance policial e a investigação do caso é muito pouco abordada - inclusive a pouca investigação realizada se torna motivo de comparação pelo narrador com aquelas que vemos em programas policiais onde buscam DNA em qualquer pedrinha que estiver na cena do crime. Trata-se muito mais de um romance onde acompanhamos a adolescência, a obsessão por Lindy e em como o narrador se tornou um dos suspeitos.

Um artifício muito usado aqui é o fato do personagem principal se comunicar direto com o leitor. Gosto porque dá uma impressão de proximidade que ajuda na leitura. E caso não tenham percebido ainda não disse o nome do "narrador", sabem porquê? Por que passamos toda a história sem saber o seu nome. Apesar de não fazer diferença na história, depois que parei para pensar sobre isso acho que é algo, no mínimo, um pouco estranho. Como assim um personagem principal que não sei o nome?

Algo que me incomodou um pouco foi a inocência do narrador durante várias cenas. Conhecemos ele com uns 13 anos e o livro acompanha o até os 16 (no período do crime, considerando que ele está contando a história já adulto). Entendo as descobertas sobre sexo e desejo quando tinha 13, mas o personagem continuou com uma "inocência" que já não condizia com a sua idade, o que soou um pouco forçado e na verdade passei boa parte do livro acreditando que ele era mais novo devido a isso.

Também considero que a capa pode dar uma impressão errada a algumas pessoas. Apesar do título ajudar na identificação, é uma capa muito "feliz" para essa história toda. Aviso que realmente gostei desta história, mas definitivamente não é uma leitura para sair feliz.
"(...) O que estou dizendo é o seguinte: essa garota de que você gosta agora, você sempre vai amá-la. De uma forma ou de outra. Ela ou alguém como ela. (...) O amor nunca muda. Então o segredo é escolher um bom para começar. (...)
- Mas e se você não escolher um bom? - perguntei. - E se a pessoa em quem você baseia todos os seus amores for a errada?
- Bem, então você acaba sendo o que chamam de grande maioria." (pág. 133)
O livro tem muitos momentos reflexivos e válidos. É uma leitura bem interessante e que me prendeu. Na situação atual em que estamos, discutindo questões sobre a violência contra a mulher e casos bárbaros que acontecem todos os dias, essa história tenta apresentar um pouco do tamanho impacto que isso pode ter nos jovens e suas decisões. É o primeiro e, até o momento, único livro lançado pelo autor que não parece nada iniciante. Para quem gosta do estilo, é um livro que recomendo.
4/5 - Muito bom!
Mais informações:
Sonhos partidos
Título original: My sunshine away
Autora: M. O. Walsh
Editora: Intrínseca (Site | Twitter | Facebook)
Páginas: 256
Links: Skoob | Goodreads 

Um comentário:

  1. wow, me interessei. a princípio, achei que seria um romance policial (amo), mas, mesmo não sendo, fiquei curiosa como a história se desenvolveria ao redor do crime e também sobre a visão do narrador!
    quando puder, lerei!
    beijos no coração ♥

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