quarta-feira, março 16, 2016

Viajando de trem de Viena para Budapeste

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Após ótimos dias em Viena, chegou o dia de continuar viagem e partir para Budapeste. Existem várias opções de transporte entre essas duas cidades que se encontram relativamente próximas (menos de 250 km), e acabamos optamos pelo trem pela comodidade, preço e tempo - diferente das viagens de avião, não é necessário chegar com tanta antecedência e as estações de trem costumam ser bem mais próximas do centro das cidades do que os aeroportos. Além disso, era a nossa oportunidade de utilizar esse transporte tão famoso na Europa!

Compramos nosso ticket pelo site da ÖBB (no site Viaje na Viagem tem um ótimo roteiro de como comprar) e imprimimos o ticket no dia anterior em uma máquina da empresa na estação de metrô próxima ao Prater. Poderíamos ter deixado para imprimir na hora, mas resolvemos garantir um dia antes para ficarmos mais seguros. 

As máquinas são as da foto abaixo, e tem opção de menu em inglês. Não foi muito complicado tirar os tickets, que custaram 19 euros cada. 
Fonte
Nosso trem saía da estação Hauptbahnhof, que é facilmente acessada pela linha U1 do metrô. É bem grande e tem várias opções de lancherias. Todos os acessos tinham escada rolante para facilitar com as malas e no acesso da estação tinha wi-fi liberado. Até aproveitei para postar uma foto no Instagram no dia! 

Resolvemos ficar próximos à nossa estação para evitar contratempos e ali começamos a notar algumas coisas um pouco diferentes do resto da cidade: muitos policiais (sempre andando em duplas ou trios) e uma série de pessoas com aparência mais humilde dormindo em bancos (dentro da estação). Quando estávamos sentados, vieram dois guardas acordar as pessoas e dizer que não podiam ficar dormindo. Sem dúvida uma imagem um pouco diferente do que vimos na cidade. 

Na plataforma é preciso ter um pouquinho de atenção pois passam vários trens. Tem que cuidar o horário do seu, das informações que aparecem nos letreiros, e quando ele vier não perde tempo! Acho que ele ficou pouco mais de cinco minutos parado ali, se tanto. 

Reservamos assentos, mas existia a opção de não reservar. Acho que vale o benefício, pois durante a viagem vi muitas pessoas indo de um lado para outro procurando lugar para sentar. Optamos por uma cabine da segunda classe, que iniciou a viagem apenas com nós mas no final estava cheia.
A viagem foi bem tranquila e confortável. Os bancos eram largos, confortáveis, mas não reclinavam. A paisagem é bonita, com muitos campos e geradores eólicos pelo caminho. Nada de montanhas por aqui! A única coisa que não gosto muito é de colocar a mala nos compartimentos superiores porque precisa de uma força que eu não tenho - ficou a cargo do Tiago!

No nosso caso a estação para a qual íamos era a última do trem, mas isso pode não acontecer. Se for o caso, fique atento aos avisos no trem e cuide pelo horário de chegada previsto.
Paisagem padrão da viagem. Muitos geradores eólicos!
Confesso que nossa primeira impressão de Budapeste foi longe de ser das melhores. Chegamos na estação mais famosa da cidade (ponto turístico!) e tudo o que vimos foi um local que não parecia dos mais limpos e cheio de pessoas tentando vender coisas. Não perdia muito para uma rodoviária das nossas... trocamos um pouco de dinheiro ali mesmo (mas fiquei com medo!) e quando fomos descer para pegar o metrô a primeira surpresa: nada de escadas rolantes! Tive que confiar que as rodinhas da mala estivessem boas e desci batendo elas pelas escadas.

Mas foi quando chegamos nesse espaço entre a estação de trem e a descida para o metrô que tivemos o nosso maior choque. Muitas (muitas!) pessoas ali acampadas. Dormindo, com roupas estendidas, algumas crianças brincando... como na hora não nos demos conta do que acontecia, a primeira reação foi um pouco de medo. Nós, turistas, em um país que a gente não fala a língua, com duas malas grandes, entrando em um país que parecia ter muita pobreza. Quando fomos pegar os tickets para o metrô na máquina algumas crianças ficaram em volta com as mãos estendidas para receber alguma moeda... foi uma primeira impressão bem ruim. Apesar de estarmos indo para países menos privilegiados da Europa, quando pensamos em Europa nunca pensamos em cenas deste tipo.
Quando conseguimos parar para raciocinar um pouco foi que nos demos conta: os imigrantes. Chegamos no auge da crise, logo antes de estourarem as milhares de notícias por aqui. Para ter uma ideia: sabe o dia em que resolveram trancar a estação e expulsar todo mundo de lá? Três dias depois, no dia que saímos da cidade (sorte para nós que era de avião). Sabe o dia em que foram encontrados seis corpos em um trem? No dia anterior. Se aqui tinham muitas notícias, lá era só disso que se falava.
Fonte
Foi bem triste ver tudo isso ao vivo. Depois cheguei a ficar com vergonha por ter sentido medo, mas infelizmente não é uma coisa que se possa controlar racionalmente. Foi uma imagem bem surreal de se ver.

Mas após esse choque inicial passar, Budapeste se mostrou umas das cidades mais lindas que conhecemos - e nos próximos posts vou mostrar o porquê!

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