quarta-feira, março 02, 2016

Resenha: Um lugar chamado liberdade

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Sinopse: Escócia, 1766. Condenado à miséria e à escravidão nas brutais minas de carvão, Mack McAsh inveja os homens livres, mas nunca teve esperança de ser como eles. Até que um dia ele recebe a carta de um advogado londrino que lhe revela a ilegalidade da escravidão dos mineiros e um novo horizonte se abre aos seus olhos. Porém, para realizar seu sonho, Mack precisará enfrentar todo tipo de opressão das autoridades que não estão acostumadas a serem questionadas.
Já na idealizada Londres, ele reencontra uma amiga de infância, Lizzie Hallim, agora casada com Jay Jamisson, membro da família que tanto o atormentara na Escócia. Lizzie não se conforma em viver submetida aos caprichos dos homens e constantemente escandaliza a sociedade com seu comportamento e suas ideias não convencionais. Quando Mack é acusado injustamente de um crime, ela quebra protocolos e sai em sua defesa, mas o amigo é deportado para a América.
Mack logo descobre que se trata de uma mera mudança de continente, não de ares sociais, pois a colônia também vive momentos de tensão: se na Inglaterra os trabalhadores não desejam mais ser explorados pela elite, ali os colonos preparam o caminho que os levará à independência do jugo inglês.
"Sonhava em construir uma casa própria, em um vale como o High Glen, num terreno que pudesse chamar de seu; em trabalhar apenas do raiar do dia ao cair da noite, podendo descansar por todas as horas de escuridão; em ter a liberdade de sair para pescar em um dia de sol, em algum lugar onde o salmão não pertencesse ao proprietário das terras, mas a quem quer que o apanhasse. E a carta em sua mão significava que seus sonhos poderiam se tornar realidade." (pág. 12)
Abençoadas sejam as reedições de bons livros! O livro de hoje foi publicado por aqui em 1997 pela editora Rocco e, esta edição que li, veio em 2014 com a editora Arqueiro. 

Já tinha gostado muito da escrita do autor em Os pilares da terra, então minhas expectativas eram um pouco altas. Novamente encontrei um livro muito bom, com um ótimo contexto histórico e personagens marcantes. O autor parece gostar muito de personagens que desejam desafiar as leis e costumes do período em que se encontram, normalmente contrastando com alguém de grande poder e péssimo caráter.

Nossos dois personagens principais são McAsh e Lizzie. McAsh é um trabalhador escravo das minas de carvão que sempre desejou ter um local onde pudesse ser livre. Faz aquele estilo de homem bruto, valente, honesto e sincero pelo qual, é óbvio, Lizzie tem atração. Um pouquinho clichê, mas nada que atrapalhe a trama.

Lizzie é uma jovem de sociedade, que precisa casar com um bom partido para salvar a herança de sua família. Gosta de vestir calças e é curiosa por aventuras, motivos pelos quais acaba sempre sendo repreendida por sua mãe. Apesar de bancar a rebelde, costuma saber a hora de "voltar ao seu lugar" e obedecer as regras. É uma personagem interessante por isso, que a torna um pouco mais compatível com as damas da época, porém sua relação de paixão/negação por McAsh as vezes passaram do limite aceitável de clichês. Sabe aquele negócio de "te xingo, te bato, te odeio, mas ainda te amo"? Mais ou menos isso. Haja paciência nesse amor!

E falando em romance, o livro possui uma quantidade razoável de cenas de sexo. A mesma coisa vale com as partes de violência, que as vezes são um tanto explícitas. Apesar de, em ambos os casos, isso não ser tão forte quanto em Os pilares da terra, não acho que o livro seja aconselhável para menores de 16 anos.

O ponto alto do livro é o seu contexto histórico. Iniciando em 1766 na Escócia, em um período de reis e escravidão, vamos acompanhando os personagens e a sociedade neste período. Passamos por uma Londres um pouco mais liberal e com grande dependência do carvão vindo da Escócia, e finalizamos nas terras de plantações de tabaco na América, em um local onde o conceito de Assembleia já é mais reconhecido pelo povo do que a monarquia. A transição entre esses locais e costumes é feito de forma tão tranquila e coerente com a história que, muitas vezes, só notamos a tamanha discrepância das leis após um período de reflexão.
"Eles querem que vocês assustem essas pessoas da camada média com violência e baderna. Isso fará com que elas comecem a se preocupar com a manutenção da ordem e parem de pensar na liberdade de expressão. Assim, quando o Exército marchar pelas ruas, haverá um suspiro de alívio coletivo ao invés de um rugido de indignação." (pág. 192)
É um ótimo livro, com uma escrita fácil e que mais uma vez apresenta os motivos pelos quais o autor é tão famoso. Para quem não quer se aventurar nas quase 1000 páginas de Os pilares da terra, creio que este seja um excelente começo. Para quem gosta de romances com bons personagens e histórias com contexto histórico, creio que Ken Follett esteja na lista dos melhores autores - e olha que falo isso sem ainda nem ter lido sua famosa trilogia O século!
4,5/5 - Entre "Muito bom" e "Excelente"
Mais informações:
Um lugar chamado liberdade
Título original: A place called freedom
Autor: Ken Follett
Editora: Arqueiro (Site | Twitter | Facebook)
Páginas: 400
Links: Skoob | Goodreads

3 comentários:

  1. Adorei a resenha e acho que gostaria bastante do livro, gosto muito de romances que fazem esse tipo de contextualização histórica. Vou colocar na minha lista de leitura.

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  2. Ooooh, gostei de saber que o livro é bem contextualizado historicamente, eu acho super difícil conseguir isso quando a história foi escrita recentemente.
    E o fato de a leitura ser fácil também ajuda MUITO!

    http://sweetluly.expressorosa.com/

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  3. Os personagens me pareceram bem interessantes, mas acho que o clichê do romance me incomodaria um pouco haha! Mas, pela sua resenha já deu para perceber que a história é muito mais do que isso!
    Quanto a Pilares da Terra, sei do que se trata por conta da série, já vi alguns trechos, porém não sabia que se baseava em um livro!!! :) Beijos!

    Colorindo Nuvens

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