quinta-feira, janeiro 07, 2016

O dia em que me libertei

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Talvez mais alguém que esteja lendo este texto já tenha passado por uma situação semelhante. Sabe quando aquele sucesso seu não parece certo? "Tirei a melhor nota da turma, mas foi porque estudei exatamente o que caiu", "Fui aprovada em um concurso, mas porque dei sorte", "Um trabalho bem feito? Foi pela ajuda que tive", "Meu trabalho ganhou um prêmio? Talvez seja porque acertei na área que queriam". Todos esses pensamentos já passaram pela minha cabeça, talvez pela sua também. Sempre tive um certo "problema" com elogios (sério, é só ficar vermelha e agradecer?) e gosto muito mais de receber críticas construtivas - as destrutivas sempre preferi ficar longe, obrigada. Para mim isso sempre foi normal, talvez decorrência da timidez que me acompanha(ou) por boa parte da vida. Até que uma reportagem mudou minha visão. Não sou psicóloga, mas digo com 95% de certeza: tenho a Síndrome do Impostor. 
"É um fenômeno caracterizado por uma sensação de incompetência, no qual as vítimas não se acham merecedoras de suas conquistas. São pessoas que não creditam seu sucesso à inteligência, competência ou habilidade pessoal. Na cabeça do paciente, seus trunfos foram consequências de sorte, ajuda de amigos ou casualidade."
Talvez você agora também esteja se identificando. Não se preocupe muito, é normal. Em 2013, em entrevista à revista Rookie, Emma Watson (a Hermione, de Harry Potter), declarou: “Parece que quanto melhor eu me saio, maior é o meu sentimento de inadequação, porque penso que em algum momento, alguém vai descobrir que eu sou uma fraude e que eu não mereço nada do que conquistei”. Kate Winslet também já fez uma declaração semelhante. E agora eu faço. Pois é pessoal, estamos juntos nessa. Eu, você e 70% das pessoas, que passam por essa sensação em alguma fase da vida. 

Não vou entrar no mérito todas as formas e fatos que existem por aí sobre a síndrome, contudo se você quiser saber mais sobre o assunto recomendo o artigo do Papo de homem pois foi um dos mais legais que encontrei. Mas é só jogar o termo no Google que aparecerão várias e várias reportagens sobre o assunto. 

Ok, sou uma impostora. E agora? 

Sair correndo e se esconder embaixo da cama até tudo passar pode parecer uma boa solução, mas a melhor é simplesmente entender. A partir do momento em que você entende seus sentimentos e consegue achar uma razão lógica para eles, é mais fácil de sair das situações incômodas. Foi o que fiz. E aproveito para passar algumas dicas sobre isso.

Aceite os elogios (sim, basta ficar vermelha e agradecer) e pronto. Se for uma pessoa mais próxima pode até confessar o que sente, mas lembre de nunca se desvalorizar. Agradeça e brinque "e eu achando que não tinha feito nada demais!". 

Encare os desafios. Oras, se alguém te deu um desafio é porque acredita que você vai se sair bem. Vai por mim, não tem espaço na faculdade ou no mercado de trabalho para ficar desperdiçando tempo com quem não merece. Se você está no lugar que está é porque mereceu chegar lá.  

Pergunte. Essa é mais velha que a minha vó (desculpa vó!) mas é sempre válida: se você não sabe, muita gente pode não saber também. Pensar que todo mundo conhece o assunto e que perguntar vai fazer você parecer o burro da aula ou da reunião é só um pensamento bobo. Eu juro.

Pare. Pense. E respire. Isso vale para qualquer situação complicada. Não se apresse, normalmente nós cobramos muito mais de nós mesmos do que o restante do mundo. As vezes você pode responder depois, e não tem problema.

Enfim, resolvi todos os meus problemas? Não. Um sentimento que te acompanha por tanto tempo não vai embora de um dia para o outro. Mas resolvi encarar 2016 de uma forma diferente: não vou mais passar meus dias acreditando que alguém é mil vezes mais inteligente, esperto e que merece muito mais créditos do que eu. Oras, é tudo uma questão de esforço, dedicação e tempo. As pessoas nunca serão iguais e as qualidades do teu colega dificilmente serão as mesmas que as tuas - o bom do mundo não é justamente a pluralidade? 

E quer mais um segredo? Preste atenção às pessoas que muitas vezes tanto se vendem por aí. Na maioria das vezes elas não estão fazendo nada que você não poderia ter feito (ou até melhor!) com o mesmo tempo e dedicação. Na vida, assim como nas lojas, a propaganda é a alma do negócio! "Mas eu odeio me exibir, acho que cada um tem que fazer o seu trabalho e não ficar propagandeando aos quatro ventos..." Oi, eu também. Mas na hora que você precisar mostrar seu trabalho, ou receber seus créditos por ele, não corra o risco de perder a sua valorização para alguém que... só vende ;)

E viva aos pseudo-impostores!

10 comentários:

  1. Oi Tami,
    gostei muito do seu texto. Acho que devemos sempre acreditar que somos merecedores de elogios, que somos suficientes e bons. Porque sempre somos.

    Beijos,
    Natália.
    www.doprefacioaoepilogo.blogspot.com.br

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  2. Eu sou um pouco assim.. já me disseram que isso faz parte de uma certa insegurança.O que não deixa de ser verdade né?Não acreditamos que somos merecedores do nosso esforço,sei lá.É bem complicado mesmo.. mas que em 2016 nos cobremos menos e aproveitamos mais :)

    Amei seu texto!

    beeijo
    http://carolhermanas.blogspot.com.br/

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    1. Também tem muito a ver com insegurança, acho que isso gera esse problema. Ou vice-versa! Mas o importante é aprender a não se cobrar tanto mesmo.
      E obrigada :)

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  3. Falou tudo Tami, lutar pelo que queremos e o que fazemos sempre. Lutar por nós mesmos!

    Beijos,
    Joi Cardoso
    Estante Diagonal

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    1. Isso Joi! Se a gente não lutar, quem luta né? ^^

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  4. Sou um pouco insegura com relação as minhas qualidades. Me identifiquei muito com seu texto. Mas, também decidi mudar as coisas em 2016! :)
    Beijos!

    lesobrinho.blogspot.com

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    1. Que legal que se identificou Letícia. Que 2016 seja diferente para nós :)

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  5. Tami!
    Na verdade todos somos inteligentes, uns tem mais aptidão para determinadas coisas outro para outras, o que não quer dizer que não sabemos tomar decisões acertadas para resolver nossos problemas, porque isso que é inteligência.
    Infelizmente algumas pessoas sabem 'vender' bem sua imagem e infelizmente muitos 'compram' o marketing vendido.
    Não se menospreze nunca por isso, tem seu valor e isso que conta.
    “Geralmente aqueles que sabem pouco falam muito e aqueles que sabem muito falam pouco.” (Jean-Jacques Rousseau)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Participe do TOP COMENTARISTA de Janeiro, são 4 livros e 3 ganhadores!

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  6. Adorei a sua reflexão! Me identifiquei muito. Obrigada pela leitura, que tem tudo a ver com o meu desabafo e com como eu me sinto.

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