quarta-feira, agosto 12, 2015

Resenha: Estação Onze

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Na noite em que a Gripe da Geórgia ataca a população, Arthur Leander está representando Rei Lear quando tem um ataque cardíaco no palco. Jeevan Chaudhary é um paparazzo com treinamento em emergências médicas que vai ao seu socorro, mas já é tarde demais. No palco está também Kirsten Raymonde, uma atriz mirim de apenas oito anos. Abalados com a tragédia, mal sabem que nos próximos dias 99% da população irá morrer.
"O rei estava de pé numa poça de luz azul, à deriva. Era o quarto ato de Rei Lear, uma noite de inverno no Elgin Theatre, em Toronto. Mais cedo, no palco, três meninas brincavam de bater ritmadamente as palmas das mãos umas das outras enquanto o público ia entrando, versões infantis das três filhas de Lear, e agora elas retornavam como alucinações na cena da loucura." (pág. 11, primeiras linhas)
A história alterna capítulos entre os tempos antes da gripe e o mundo vinte anos depois. Acompanhamos basicamente seis pessoas que tem seus destinos entrelaçados: Arthur, Jeevan, Kirsten, Miranda (a primeira esposa de Arthur), Clark (o melhor amigo) e um autoproclamado "profeta".

Um grande chamariz para um livro é uma frase de elogio de algum autor famoso. Neste caso, a indicação é de ninguém menos de George Martin, um dos escritores de fantasia mais aclamados da atualidade. Logo, as expectativas se elevam muito. Confesso que no início o livro não me prendeu, por muitas vezes parecia monótono e com pouco desenvolvimento. Aos poucos, pela metade do livro em diante, as histórias começam a se desenvolver e tudo o que parecia apenas bobagem começa a fazer sentido. 

É um livro ricamente entrelaçado, onde muitas vezes é preciso uma leitura atenta para entender que, mesmo alternando os tempos, a autora ainda está apresentando a mesma situação. É o tipo que história que a medida que vamos chegando no final e juntando os pontos, temos vontade de reler aquelas páginas iniciais que nos causaram um pouco de sono para entender melhor o todo. Tem algumas cenas de ação contudo o grande foco do livro são os personagens, suas dificuldades e a convivência nesse novo mundo.
Capa brasileira / capa original
Em uma cena literária com tantas distopias, Estação Onze consegue fazer uma das mais reais. São pessoas comuns tentando sobreviver em um mundo devastado, onde não existe mais luz, água encanada e uma série de outras facilidades que hoje já associamos como parte das nossas vidas. A forma como os diferentes personagens reagem a essas mudanças, e o reflexo de suas vidas nos acontecimentos é muito bem trabalhado. Conseguimos nos afeiçoar a eles e entender seus rumos, mesmo que algumas vezes pareçam complexos. 
"Se o inferno são os outros, o que é um mundo onde não há quase ninguém?" (pág. 145)
Foi um livro que até a metade sinceramente me chamou muito pouca atenção e que parecia apenas regular. Depois a história foi me envolvendo e terminei o livro com a sensação de ter lido algo muito bem construído, do tipo de livro que gosto de indicar pois nos faz refletir sobre algumas situações. Minha recomendação então é que caso você pegue o livro, não ceda à vontade de desistir nas primeiras páginas e mergulhe na história pois acredito que não irá se arrepender.

Você pode gostar se também gostou de: Flash Forward pois ambos trazem bastante reflexão sobre realidades diferentes, contudo este é bem menos científico e mais focado na história (motivo que me fez gostar mais).
4/5 - Muito bom!
Mais informações:
Estação onze
Título original: Station Eleven
Autora: Emily St. John Mandel
Editora: Intrínseca (Site | Twitter | Facebook)
Páginas: 320
Links: Skoob | Goodreads 

5 comentários:

  1. Oi,
    Adorei a capa, ela é uma graça. Amo distopias. E esse livro parece ser incrível. É bom quando um livro que no início não estamos gostando e do nada tudo muda, e você não consegue parar de ler. Flash Foward está na minha lista e agora Estação Onze também . Adorei a resenha e a indicação .
    Bjs

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  2. Acho linda demais a capa desse livro, e a história parece ser muito interessante, curto livros desse gênero, ainda mais depois de ler essa resenha positiva sobre o livro, é bom ler livros que envolvem o leitor, adicionei em minha lista de leitura e pretendo ler.

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  3. Estranho o livro parecer no começo ser monotono... pq eu ja me interessei muito... hahahaha
    Mas agora já sei que quando for ler só esperar que vai melhorar e vai valer a pena.... rsrs
    Tenho aqui o livro Flash Forward, meu irmao já viu a série e quando ganhei o livro ele correu pra ler (olhar que ele não é muito de ler... haha) e adorou o livro tbm, e fica falando que é pra eu ler...

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  4. Fiquei curiosa. Já ouvi falar sobre o livro, mas é a primeira resenha que leio; a história parece ser muito interessante e, antes mesmo de conhecê-la, eu já estou aqui pensando se realmente acontecesse isso, o que seria de nós? hahaha :3

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  5. Estação Onze foi um livro que despertou bastante interesse em mim. Após essa e várias outras resenhas com os pontos positivos do livro, decidi que o lerei para tirar minhas próprias conclusões. Destacando: um mundo sem as facilidades atuais foi o ponto que mais me deixou curioso na estória.

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