quarta-feira, julho 15, 2015

Resenha: A teoria de tudo

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Autobiografia escrita por Jane Hawking, o livro conta a história da moça desde o dia em que conheceu Stephen em 1962, passando por todas as atribulações, felicidades e problemas do casamento, até os dias de hoje.
"A história da minha vida com Stephen Hawking começou no verão de 1962, embora, possivelmente, tenha iniciado dez anos ou mais antes disso, e sem que eu percebesse." (pág. 11, primeiras linhas)
Preciso iniciar a resenha dizendo que biografia é um dos poucos estilos literários que não me agradam. Quando iniciei a leitura do livro, tanto por desconhecimento quanto por ter sido induzida pela existência do filme, achei que ele seria um pouco mais romantizado, em formato de história. Engano meu, pois o livro é uma biografia pura da autora, com todos os fatos na ordem cronológica, muitos detalhes e pouquíssimas falas.

Jane escreve de forma muito detalhista e acaba nos apresentando a uma série de situações e pessoas desnecessárias para o andamento geral de sua vida. Sua escrita parece ter pouco sentimento, ficando mais parecida com uma grande narração dos acontecimentos. Acreditava também que, pela foto romântica (do filme) escolhida para capa, sua relação com Stephen seria contada por um ângulo mais íntimo porém confesso que mal consegui entender porque ambos se apaixonaram - pareceu algo quase de ocasião.

O livro traz algumas passagens bem interessantes, como a ida do casal à Rússia logo após o final da Segunda Guerra (quando muito poucos tinham autorização para entrar no país), as lutas de Jane para que o Sistema de Saúde da Inglaterra desse o mínimo de condições para seu marido, todas as dificuldades que uma pessoa com desabilidades motoras tinha que enfrentar (que eram muito maiores há 30, 40 anos atrás) e a ascensão de Stephen no mundo acadêmico no meio disso tudo.

Jane consegue mostrar a complexidade do seu relacionamento, e sem dúvida acabamos a leitura percebendo que qualquer tipo de julgamento vindo de fora não tem como ser correto. Nesse parágrafo vou incluir um pouco de spoilers para conseguir refletir sobre uns assuntos, mas nada que vocês não leiam em qualquer resumo sobre a vida do casal.  Quando Jane se casou com Stephen já sabia sobre a sua doença (os médicos estavam lhe dando três anos de vida) e que sua família era bem incomum. A medida que o tempo passa, os filhos chegam e cada vez mais ela precisa ficar em casa para cuidar do marido, deixando de lado tudo pelo que sonhava (mestrado, música). Ao mesmo tempo Stephen começa a ganhar um grande reconhecimento, e tenta a todo custo provar de alguma forma que a doença não o limita - e isso é um sentimento muito difícil de sequer pensar. Após alguns anos, Jane começa a ter um relacionamento com outro homem - que vai morar em sua casa. Como julgar uma mulher que já é mais enfermeira do marido do que qualquer outra coisa, e precisa suportar a família nos ombros, de buscar apoio emocional em outra pessoa? Separação não seria uma opção plausível pois no momento não existiam outras pessoas que pudessem cuidar de Stephen, inclusive seus pais me pareceram extremamente ausentes e alheios à todas as dificuldades passadas pelo casal. Aliás, a sogra de Jane parece o estereótipo de sogra ruim, caramba! Após um bom tempo nessa situação com Jane e seu companheiro, Stephen acaba pedindo a separação e vai morar com uma de suas enfermeiras - e novamente, quem pode culpá-lo por acabar se sentindo ressentido com tudo, e sendo até mesmo um grande idiota e arrogante em vários momentos? São situações muito complexas que qualquer um de fora não tem como entender. Fiquei muito feliz por ler que até hoje eles parecem se dar bem, mesmo tendo passado por um tempo turbulento após a separação.
"Nosso casamento, e a grande e complexa estrutura em que se transformou, era a definição da minha vida adulta, resumindo minhas conquistas mais importantes: a sobrevivência de Stephen, os filhos, a família e o lar. Era a longa história de nossas lutas conjuntas contra sua doença e a história de seu sucesso contra todas as probabilidades." (pág. 422)
A história é boa, e como mostrei acima, tem muitas reflexões válidas. Porém não consegui gostar da leitura pela sua escrita e excesso de informações desnecessárias, o que me fez demorar bastante para concluir a leitura. Também senti falta de um toque mais pessoal da autora, expressando mais seus sentimentos e sendo menos objetiva em relação aos fatos. O relacionamento do casal, chamariz da história, também precisava focar mais nos sentimentos - em raríssimos momentos parece que Stephen realmente ama (de forma mais passional) a pessoa que escolheu para ser sua mulher. Seu amor pela física é muito mais evidente, assim como o amor de Jane pela música. Mas, novamente, quem somos nós para julgar?
2/5  - Regular
Mais informações:
A teoria de tudo
Título original: Travelling to infinity
Autora: Jane Hawking
Editora: Única (Site | Twitter | Facebook)
Páginas: 448
Links: Skoob | Goodreads

3 comentários:

  1. Fiquei super feliz ao ver resenha sobre esse livro no blog, eu amei o filme então estava querendo adquirir o livro. Confesso que estou um pouco decepcionada! Eu jurava que a adaptação tinha sido fiel ao livro, mas pelo jeito, eles romantizaram bastante, porque o livro não é bem assim. Acho que se o lesse, compartilharia a mesma opinião. O que consegui absorver da sua resenha, é que a autora foi bem fria ao relatar os acontecimentos. Eu achei o filme tão lindo, me desaponta saber que o livro não é exatamente daquele jeito. Sem falar que a leitura parece bem cansativa, não sei se é só impressão.

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  2. A história desse homem pela visão da esposa deve ser incrível. Ele é um gênio. Tão inteligente e tão dedicado por suas buscas do mundo. Eu tenho curiosidade em ver o filme já quanto ao livro nem tanto, é que apesar do livro parecer ser bom eu quase não leio biografias. :/
    Abçs!

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  3. Oi Tami,
    acho a história de vida do Stephen incrível por tudo o que ele passou e tal. amei o filme mas fico com um pé atras em ler o livro porque também não sou muito fã do gênero, e tenho medo de a leitura se tornar cansativa para mim...
    senti bastante pena da Jane, e é difícil julgar ela pelo o que ela fez com ele já que ela estava sendo mais uma enfermeira do que uma mulher né. por um lado eu acho errado, mas por outro, ela sacrificou bastante de sua vida por ele né.
    é triste, muito triste.
    quero muito ler o livro, mas sei lá, não sei se vou curtir muito ele :S

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