quarta-feira, julho 29, 2015

Resenha: O árabe do futuro

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Baseado nas lembranças de Riad Sattouf, nascido na França e filho de pai Sírio e mãe Bretã, o livro narra os primeiros anos da infância peculiar do autor. Iniciando em Paris e passando por Líbia e Síria, ele mostra as diferentes culturas e problemas que os países vinham enfrentando sob o domínio dos ditadores Kadafi e Hafez al-Assad entre os anos de 1978 a 1984, tudo pela visão do autor ainda criança. 
"Meu pai nem chegou a procurar trabalho na França. Ele tinha tentado um cargo de professor na Síria. Embora fosse um dos mais qualificados, ele só conseguiu uma vaga de professor assistente. Todos os cargos importantes estavam ocupados por gente que tinha contatos." (pág. 69)
Primeiro livro de uma trilogia, é uma espécie de biografia em formato de graphic novel que trata sobre a visão de um menino árabe na França, Síria e Líbia. E se isso não é o suficiente para chamar a sua atenção para o livro, não sei o que mais seria.

Vocês sabem sobre a história da Líbia, Síria, ou algum outro país árabe? Creio que a maioria seja como eu e saiba muito pouco além das notícias mostradas sobre os seus ditadores. Provavelmente os nomes Kadafi e al-Assad não soem estranhos para a maioria, já que Kadafi foi morto em 2011 e Hafez al-Assad é pai de Bashar al-Assad, atual presidente da Síria. Meu conhecimento não passava muito disso, então foi uma grata surpresa ser apresentada a esses países no livro.

Diferenciando os locais onde a história se passa por cores (o que acontece na França está em azul, na Líbia em amarelo e na Síria em vermelho), muitas vezes o autor opta por manter seus personagens e locais bem caricatos. Enquanto Paris tem um ar "mais apimentado", a Síria é um local extremamente pobre e os garotos são maus. A mãe de Riad pouco se manifesta e o pai defende sua família e país até o fim, mesmo em situações estranhas como quando os primos xingam e batem em Riad. 
Capa brasileira / Capa original
É um livro bem interessante para chamar atenção para estes países, e atiçar a curiosidade do leitor para buscar mais informações. Acredito que o autor poderia ter trazido personagens mais reais e não apenas os estereótipos mostrados, porém considerando que o autor é cartunista do Charlie Hebdo esse tom irônico e caricato era esperado. Gostei bastante da leitura, que sem dúvida é bem diferente por uma série de razões. Como é todo em quadrinhos, é bem leve e rápido de ser lido. Recomendo!

Você pode gostar se também gostou de: não consigo lembrar de nenhum livro similar. Se conhecerem, deixem a dica!
4/5 - Muito bom!
Mais informações:
O árabe do futuro: uma juventude no Oriente Médio (1978 - 1984)
Título original: L'arabe du futur
Autor: Riad Sattouf
Editora: Intrínseca (Site | Twitter | Facebook)
Páginas: 160
Links: Skoob | Goodreads 

5 comentários:

  1. Eu gostei do livro. O formato dele é bem interessante, principalmente quando citou que quando a história troca de lugar, as cores dos quadrinhos também mudam. Concordo quando diz que é uma boa oportunidade para conhecer os lugares em questão. Eu também tenho um conhecimento bem vago sobre eles, seria uma chance de tentar entender um pouco sobre essas culturas. Por mais que seja autobiográfico, não parece ser uma leitura densa, muito pelo contrário.

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  2. Tô curiosa para ler esse livro! É sempre legal ver histórias em formato de quadrinhos, principalmente quando tratam de um assunto sério/polêmico como esse! :)

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  3. Adoro graphic novel o problema é que muitas vezes eles são bem mais caros que livros normais.Eu mesma devo saber muito pouco sobre a Síria e demais países.Não sou super fã destes textos meio biográficos mas a proposta e o tema são bacanas.E você deu uma nota muito boa,seu eu tiver a oportunidade vou ler.
    beijos

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  4. Nada melhor para conhecermos os países árabes em forma de quadrinhos. Não são países que tenho curiosidade de saber mais, mas sempre gostei de graphic novel e tenho certeza de que vou gostar, principalmente por você ter gostado tanto.
    Abçs!!

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  5. Olá!! Gostei da resnha! Estou lendo Persépolis e fiquei bem curiosa com "O árabe do futuro". Eles seguem a mesma linha: Persépolis é a biografia de uma iraniana, que era criança durante a revolução islâmica (1979).

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