quarta-feira, novembro 26, 2014

Resenha: A cor do leite

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Existem alguns livros que podem não ter uma grande história, mas que nos prendem de forma única. Este é um deles.
"esse é o meu livro e eu estou escrevendo ele com as minhas próprias mãos.
nesse ano do senhor de mil oitocentos e trinta e um eu fiz quinze anos e estou sentada perto da minha janela e posso ver muitas coisas. posso ver pássaros e eles enchem o céu com os seus gritos. posso ver as árvores e posso ver as folhas." (pág. 7, primeiras linhas)
Mary é uma garota de 15 anos que leva uma vida dura de trabalho na fazenda de sua família, com seus pais e suas três irmãs mais velhas. Ela está escrevendo esta história em 1831, com sua língua afiada e sincera como lhe é peculiar. No verão do ano anterior ela havia sido enviada para o presbitério para cuidar da esposa do pastor, em troca de dinheiro para seu pai. A menina não se adapta bem a todo o conforto e formas de trabalho que a casa possui, mas é obrigada a permanecer. Lá aprende a ler e escrever de forma básica, e com essas ferramentas começa a nos contar sua história e um fato muito importante que ela tem urgência em contar.

Escrito de forma totalmente não-convencional, sem vírgulas, letras maiúsculas e sem preocupação com concordâncias verbais, vamos acompanhando Mary nos contar sua história - e desde o início ela deixa claro que precisa terminá-la logo e que tem algo muito importante para contar. Isso somado com a forma com a qual o livro é narrado se transforma em algo completamente angustiante - e viciante!

A história é plausível, assim como seus personagens. Mary é uma garota adorável, simples, inocente e muito desbocada. É impossível não sorrir com algumas de suas respostas totalmente sem filtro. Porém durante a leitura vamos percebendo que ela está angustiada e triste, e assim também vamos ficando. Outro personagem querido é seu avô, que abandonado pela família encontra consolo apenas nas conversas com a menina.
Capa brasileira / capa original
Gosto muito das duas capas mas a brasileira parece fazer mais sentido com o que é descrito de Mary, uma garota com os cabelos da cor do leite. A diagramação é simples, e nem tenho como opinar sobre a revisão. Bom, posso dizer que realmente não encontrei nenhuma letra maiúscula ou vírgula no livro!
"às vezes é bom ter lembranças porque elas são a história da nossa vida e sem elas não ia ter nada. mas tem vezes que a memória guarda coisas que a gente não quer nunca mais ouvir falar e não importa quanto a gente tenta tirar elas da cabeça. elas voltam. (pág. 163)
A história em si não traz nada de muito inovador, e se fosse escrita de forma "normal" talvez não tivesse o sucesso que possui - o livro traz uma série de grandes elogios na sua contra-capa. Mas da forma como foi montada se transformou em um livro muito bom, daqueles que as páginas passam voando. É um livro adulto e possui uma história forte, então não recomendo para quem quer apenas uma leitura levinha e alegre. Para os outros, espero que tenham a oportunidade de conhecer este livro.
4,5 / 5 - Entre "Muito bom" e "Excelente"
Mais informações:
A cor do leite
Título original: The colour of milk 
Autora: Nell Leyshon
Editora: Bertrand Brasil (Site | Twitter | Facebook)
Páginas: 208
Links: Skoob | Goodreads

5 comentários:

  1. não tinha lido nenhuma resenha deste livro ainda, apesar de ter visto muitos comentários positivos. não sabia que ele era escrito desta forma assim. achei meio estranho... acho que eu iria me irritar bastante com isso hahaha
    mas a trama dele parece ser boa. impossível não ficar curiosa!

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  2. Ainda acho isso do livro não ter letra maiúscula e vírgulas, mas como foi isso que fez o livro ter sucesso deve ser bom. E com essa resenha que amei fiquei bem curiosa pra ler esse livro, e também gosto bastante de histórias que se passam antigamente.
    Bjs, Tami <3

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  3. Fiquei curiosa com esse fato importante...
    Bj

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  4. Oii Tami !
    Realmente, a história não tem nada de diferente de muitas que costumo ler, mas o que mais me chamou a atenção foi o fato do livro ser escrito de uma forma totalmente "errada", acho que nós passamos a realmente conhecer mais de quem está nos contando a história! E pelo que percebi eu também dividirei todos os sentimento da Mary!
    Ah, a capa brasileira com certeza é a mais bonita ;)
    Bjs :*

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  5. Nunca tinha ouvido falar desse livro, mas achei interessante a trama. Eu tenho sérias agonias com livros que são assim, sem as letras maiúsculas, vírgulas,etc; jisaidjadsijdsa, eu não sei porque. Mas realmente fiquei interessada na história da Mary, e pelos quotes que você mostrou já simpatizei com ela :33
    Kissus

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