quarta-feira, outubro 29, 2014

Resenha: O menino dos fantoches de Varsóvia

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"Sem o casaco, nada teria ocorrido como ocorreu. Era apenas uma testemunha no início de tudo - um casaco de lã preta com uma fileira de seis botões na frente. Mas, quando adquiriu os bolsos internos, ele se tornou cúmplice." (primeiras linhas, pág. 5)
Mika era apenas um menino quando a guerra começou. Os judeus foram enviados para um gueto de Varsóvia e lá tiveram que viver sob condições que não eram humanas. Após a morte de seu avô Mika fica com o seu grande casaco cheio de bolsos, onde encontra um fantoche de um príncipe. Ele começa a brincar com este e criar novos fantoches, e com isso consegue fugir desta realidade que lhe foi imposta. A história do menino dos fantoches percorre o gueto e logo muitas crianças e adultos querem conhecer o menino e ver suas apresentações. É neste meio tempo que a história de Mika se cruza com a de Max, um soldado alemão. E então começa uma delicada história de sobrevivência.

Creio que o grande diferencial deste livro seja o fato dele não se passar apenas em campos de concentração. Aqui boa parte da história é passada no gueto criado para os judeus. É interessante ver como a autora conseguiu trazer este mundo para o leitor de forma tão vívida. O livro é dividido em três partes, iniciamos conhecendo a história de Mika, que inicia o livro já velhinho e começa a narrar sua história para seu neto, após conhecemos a história do soldado Max, e a última parte se chama "Voltando para casa" - entendam como quiser, sem spoiler! 

A única coisa que não gostei foi que a autora sentiu que era necessário contar toda a vida de Mika e Max, ao invés de simplesmente pular alguns pedaços. Temos alguns trechos do livro que parecem estar ali apenas porque a autora sentiu que precisava contar como Max se virou quando adulto, como seus filhos e netos nasceram, e vários outros detalhes que poderiam ser omitidos. Estes trechos parecem uma simples citação de fatos e quebram muito o ritmo do livro. 
Capa brasileira / Capa original
Outro item interessante é um glossário com alguns dos personagens que aparecem no livro e que realmente existiram. Muitos não conhecia, e é lindo ver como existiram pessoas corajosas em uma época tão difícil. Também gostei muito de acompanhar a história de Max, o soldado. Aqueles que sempre são narrados como vilões da guerra também acabaram por sofrer muito após seu término, merecendo ou não.
"Para mim, a esperança é algo muito mais perigoso do que o desespero. Ela me devora por dentro como aquelas feridas infeccionadas que nunca saram nesse frio maldito. Preciso parar de ter esperança, de imaginar que vou voltar para casa." (pág. 265)
Gostei da história, apesar de alguns trechos do livro realmente me desmotivarem um pouco. É interessante ter uma outra perspectiva, tanto do gueto quanto do lado dos soldados alemães. Creio que seja sempre importante lermos este tipo de história para entendermos que mesmo na pior das crises que o mundo já passou, existem pessoas boas e ruins de ambos os lados, e não devemos culpar toda uma nação pelos erros de alguns. Não adianta, ler algo sobre a segunda guerra é refletir sobre a vida.
4/5 - Muito bom!
O menino dos fantoches de Varsóvia
Título original: The puppet boy of Warsaw
Autora: Eva Weaver
Editora: Novo Conceito (Site | Twitter | Facebook)
Páginas: 400
Links: Skoob | Goodreads

2 comentários:

  1. que legal! nunca li este livro, mas parece ser ótimo. gostei de saber que alguns personagens realmente existiram.
    li poucos livros com este tipo de trama, mas imagino que este seja mais ou menos no estilo de A Menina que Roubava Livros, né?!
    este tipo de trama é legal, mas dificilmente me prende... espero que a autora consiga me conquistar com a sua escrita! *-*

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  2. Oii Tami :}
    Já tinha ouvido falar do livro, e fiquei encantada com a sinopse. Quero muito ler, não sei se é porque tem um pouco de semelhança com O menino do pijama listrado, mas a história me interessou bastante.
    Provavelmente quando eu começar a ler o livro não irei parar até chegar ao fim, confesso que acho um pouco triste essa época em que os judeus sofriam tanto, e por se tratar de uma criança é pior ainda, só espero que o Mika tenha um final feliz !!!
    Bj ! :*

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