quarta-feira, setembro 03, 2014

Resenha: A filha da tsarina

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Gosto bastante de romances históricos pois normalmente retratam períodos interessantes da história de maneira mais pessoal e assim nos dão uma visão um pouco diferente do que vemos nos livros didáticos. Aqui a história é contada por Tatiana Romanov, segunda filha do tsar Nicolau e da tsarina Alexandra, última família de tsares da Rússia. Diferentemente da realidade, no livro Tatiana conseguiu escapar do massacre que matou sua família e fugiu para o Canadá, onde viveu o resto de sua vida e escreveu em 1989 estas memórias.
"Meu nome é Daria Gradov e vivo em Yellow Rain, Saskatchewan. Sou viúva. Meu querido Miguel morreu, mas vivo próxima à minha família. Todos cuidam de mim, especialmente meu filho Nicholas e seus filhos." (primeiras linhas, pág. 5)
Suas lembranças iniciam em 1904, quando tinha apenas seis anos e uma celebração acontecia em São Petersburgo pelo início da guerra contra o Japão. Acompanhamos o crescimento de Tatiana e suas irmãs, a queda do tsar, os conflitos que estavam ocorrendo na Rússia e em sua família e vários outros acontecimentos até 1918. São anos muito importantes na trajetória russa e aqui servem de fundo para a história.

Narrado em primeira pessoa, o livro acaba voltado mais para a vida de Tatiana do que para todos os acontecimentos que estão à sua volta. Personagens interessantes da história aparecem, como Freud e Rasputin, além de outros reis e imperadores da época. Como meu conhecimento da história Russa é bem limitado, o livro trouxe várias informações que me eram desconhecidas - e gosto muito quando isso acontece! Porém achei a escrita de Carolly muito pouco focada nos acontecimentos, e a história muitas vezes parecia se enrolar por ações que não acrescentam nada. O livro poderia ser muito mais ativo, trazendo, por exemplo, mais sobre o isolamento da família e a fuga de Tatiana, itens que literalmente ficam para o fim. Um acontecimento importante como o massacre deveria ter sido muito mais destacado.

Tatiana me pareceu uma personagem muito forte para sua realidade. Ela é corajosa, consegue sair escondida, tem paixões e tudo isso sendo uma grã-duquesa jovem, criada no palácio, cercada de seguranças e com o povo revoltado com os governantes. Não parece plausível. Liberdades do romance à parte, as irmãs acabaram apagadas na histórias e gostaria de as ter visto mais - talvez se fossem cúmplices de Tatiana algumas de suas ações seriam mais "reais". 
Capa brasileira / Capa original

Não desgosto da capa original, mas alguma coisa nela não me chama atenção. A capa brasileira ficou bem mais bonita na minha opinião. A diagramação interna é simples e não encontrei erros. Porém uma coisa me incomodou, e sinceramente não consegui entender: por boa parte do livro Tatiana é chamada de Tania. Seria um apelido ou alguma questão de revisão? Procurei na história mas não encontrei explicação da autora sobre isso, então a dúvida permanece.
"- Talvez os poderes voltem. Talvez ele se regenere. - Ouvi minha própria voz, apesar de não acreditar no que dizia. As pessoas raramente se regeneram. Pessoas más apenas ficam piores. O mundo é assim, disse para mim mesma, sentindo-me muito adulta." (pág. 153)
Em resumo, gostei da história porém acho que a autora passou no dia-a-dia da família por muito tempo ao invés de aproveitar essa personalidade criada para Tatiana e trazer uma narrativa mais ativa. Isso fez com que demorasse um pouco mais do que o esperado para terminar a leitura, sem dúvida prefiro histórias mais dinâmicas. É um livro adulto e recomendo para quem quer conhecer um pouco mais sobre a Rússia e sobre os Romanov, sem levar todo o escrito ao pé da letra claro.

3/5 - Bom
Mais informações:
A filha da tsarina
Título original: The tsarina's daughter 
Autora: Carolly Erickson
Editora: Record (Site | Twitter | Facebook)
Páginas: 368
Links: Skoob | Goodreads
Onde comprar: Saraiva | FNAC | Buscapé

10 comentários:

  1. Oi, Tami!
    Também gosto muito de romances históricos, fazendo-nos aprender mais do lendo livros didáticos, na minha opinião.
    Bem, não fiquei interessada nesse livro pelo fato dele ser muito enrolado e por tratar de uma estória que se passa na Rússia, por causa das palavras que mais parece de trás pra frente, kkkkk.
    Ótima resenha! Abraços!

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  2. Oi Tami! Achei bem interessante esse livro! Sua resenha me fez ficar curiosa! XD Além do mais essa capa é maravilhosa! Não gostei tanto da capa original...Apesar do enredo ter suas falhas,parece se um livro que valha a pena ser lido *--*

    Bjs

    http://livros-nerdices-tudomais.blogspot.com.br/

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  3. Oi Tamy, Eu curto sim romances históricos, mas não sei se eu leria esse por você ter falado que a narrativa não é muito dinâmica, pois tendo a perder o interesse em leituras assim.
    A Capa brasileira é linda, mas a original também é perfeita, passa uma ideia de antiguidade que chega a dar nostalgia. Adorei.

    ♫ Conversas de Alcova ♫

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  4. Assim como você eu também gosto de livros históricos, são os que mais chamam a minha atenção. Gostei de ler sua resenha do Livro, porém, também concordo com o desfoque da autora com a família.Ela poderia ter desenvolvido mais, assim mesmo me parece ser um bom livro hehe :*

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  5. Oi!
    Tmbm prefiro tramas mais dinâmicas, então passarei esta leitura.
    A capa original é feinha, ou melhor meio esquisita...bj!

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  6. Apesar da nossa capa ser bem melhor do que a original, confesso que não morri de amores por ela.
    A história parece interessante. Gosto de conhecer costumes e hábitos de uma outra época.
    O problema, ao meu ver, é a narrativa mais lenta. Fiquei com a impressão de que é um tanto monótona.
    Por hora, não pretendo ler.
    bjs

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  7. Também sou um grande fã de livros que em suas histórias relatam um pouco dos acontecimentos históricos, o passado é um período muito rico para se ambientar uma trama, claro mantendo pelo menos um fio de realidade, essa parte da Rússia é muito interessante e deveria ter sido desenvolvida melhor sim, afinal a protagonista faz parte da elite do país, uma pena que a autora pecou um pouco na construção da história como um todo, deveria ter desenvolvido melhor os elementos para deixar a obra mais completa.
    A capa tanto a nacional quanto a internacional não chamaram minha atenção para a leitura, sinceramente não gostei de nenhuma das duas, mas ainda assim prefiro a nossa.

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  8. Tbm gosto de romances históricos pelo msmo motivo q o seu. Os acontecimentos ficam mais pessoais e palpáveis.
    Tbm preferi a capa brasileira.
    Gostei da história, porém esperava algo mais dinâmico.

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  9. Oooii!! :)
    Só queria comentar sobre o "Tania", e aparentemente é um apelido mesmo. Há certos nomes russos que têm apelidos bem distintos mesmo, por ex.: Katia seria um apelido para Ekaterina e Natasha para Nathalya. É meio diferente, mas é russo né, então... xD

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    1. Pois é Eloisa, parece ser um apelido mesmo. Mas achei que soa estranho para nós, poderiam ter colocado uma pequena explicação ao menos... eu não sei nada de russo! hehehe

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