sexta-feira, janeiro 11, 2013

Refletindo sobre livros e autores nacionais

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Fazia tempo que não escrevia, e o texto de hoje não é sobre um assunto novo. Comecei a escrever esse texto na terça-feira para postar no mesmo dia, visto que não teria resenha essa semana (gente, "Os pilares da Terra" é muito grande!). Acabei não postando e o texto ficou no rascunho. Qual não foi a minha surpresa quando, na quarta-feira, o assunto "livros nacionais" entrou em pauta novamente. Para quem não ficou sabendo do último "barraco literário", aqui vai um resumo:

Tudo começou quando a Karina do blog Porre Literário publicou uma postagem falando que havia recebido informações de uma fonte confiável (e relacionada com a editora) avisando que a Novo Conceito não iria mais lançar livros nacionais em papel, apenas em e-book. E que estaria com os pagamentos de direitos autorais atrasados para os autores nacionais. A editora avisou que iria lançar uma explicação no dia de ontem e assim o fez. Porém a explicação acabou saindo mais para o final da tarde, e enquanto isso a blogosfera estava a mil no twitter comentando o caso e lançando campanhas de apoio aos autores nacionais. Prefiro que cada um leia as postagens relacionadas ao caso e tire as conclusões que quiser. Sinceramente sinto que ainda continuo sem saber de todo o "por trás" da história direito, então prefiro não opinar. (1º post | 2º post | 3º post | Comunicado NC)

A questão que sempre vai e volta é: existe preconceito literário? As pessoas realmente preferem ler livros internacionais? Isso para mim tem muitas respostas.

O medo do desconhecido. Quantos livros você já comprou apenas porque achou bonito e gostou da sinopse, sem NUNCA ter ouvido falar sobre ele? E quantos você já comprou porque alguém falou que era bom, que valia a pena e que todo mundo deveria ler? Posso apostar que a segunda opção deve ter um resultado bem maior. Os livros internacionais, quando chegam no Brasil, já passaram por um "crivo" no seu país de origem e deram certo. Muitas pessoas compraram o livro e gostaram. E todo mundo que compra um livro internacional tem uma noção disso. Nenhum livro chega aqui sem ter um bom número de vendas no exterior. Então nós vamos pela maioria: se chegou aqui, deve agradar. Agora pensem em um livro nacional novo, as vezes sem nenhuma resenha, sendo comprado diretamente com o autor ou por um preço "alto" na editora. Em qual vocês apostariam? No novo, sem nenhuma referência ou naquele livro que já superou isso?

"As editoras não investem". Não creio que isso seja um problema exclusivamente do Brasil. Qualquer editora no mundo vai investir mais em propaganda de um livro com mais chances de venda (seja pelo autor famoso, pelo número de vendas que o livro vem adquirindo, etc). Editora é uma empresa, e empresa precisa visar o lucro como qualquer outra. Incentivo aos autores brasileiros? Se alguém teria que fazer isso seria o governo, e não uma editora. O que uma editora não pode é cobrar para lançar livros ou destratar o autor por ser nacional. Sobre o pagamento que é dado para um nacional e para um estrangeiro, isso depende muitas vezes de leilão. O objeto mais cobiçado vai sair mais caro. Pura e simples concorrência.

"O leitor tem preconceito com autores brasileiros". Tirando o medo do desconhecido, de onde que alguém tirou isso? Até hoje nunca li livros de autores argentinos, significa que tenho preconceito com eles? Claro que não! Caramba. Será que existe alguém que vai chegar numa livraria, pegar um livro e olhar direto a nacionalidade de um autor? Como já falei: livro se compra por indicação. Se eu ler um livro bom vou indicar, independente de o autor ser brasileiro, inglês, chines ou coreano. Se fosse falar por nacionalidade, poderia falar do preconceito que os brasileiros tem com livros, sei lá, israelenses. Aposto que a grande maioria nunca leu algo de um autor de lá.

"Todo mundo deveria ler um autor brasileiro por mês/ano". Isso sim é preconceito. Vou ter que ler um livro SÓ porque é brasileiro? Não né. Tem milhares de livros nacionais que me parecem ótimos e assim que tiver oportunidade quero ler. Contudo não vou me obrigar a ler um livro nacional só porque é nacional.

"Autores brasileiros não aparecem nas livrarias". Não sei de que cidade são algumas pessoas, e creio que livrarias pequenas realmente só tenham livros mais vendidos mesmo. Porém é bom lembrar que "autores brasileiros" não são só aqueles que a gente conhece no Twitter. Existem vários brasileiros já consagrados que toda a livraria deve ter livros: Veríssimo, Martha Medeiros, Paula Pimenta, Talita Rebouças, Paulo Coelho... todos eles são autores brasileiros também, e consagraram seu espaço. Nas livrarias que conheço, vejo tranquilamente autores nacionais lado a lado com internacionais.

Resenhas. Esse item é apenas para os blogs e confesso que até eu fico com receio. Até hoje tive a sorte de conhecer autoras maravilhosas que aceitaram no momento que apontei uma ou outra crítica sobre a história. Mas todo mundo sabe que nem sempre é assim. O livro que mais critiquei até o momento no blog foi "Desculpa se te chamo de amor". Sei que o autor nunca vai ler minhas críticas. Porém, se fosse um autor nacional não tão famoso talvez lesse. E talvez não gostasse. Alguns são maduros e entendem que o livro não tem como agradar todos os leitores. Contudo muitas vezes é difícil segurar a frustração de ver o seu livro sendo criticado depois de tanto trabalho e eles acabam se exaltando. Muitos blogueiros já deixaram de serem parceiros de autores nacionais por razões desse tipo.

É batido, mas não custa lembrar. J.K. Rowling passou por sete editoras que não aceitaram Harry Potter. Certamente a que aceitou não investiu um alto valor no livro logo de início. Paula Pimenta (para citar um nacional) também teve "Fazendo meu filme" recusado em várias editoras. Chegaram a dizer que o livro era muito grande para o público-alvo. A primeira tiragem foi pequena, pouquíssimas pessoas tem a primeira edição do livro. Hoje ela já está sendo lançada nos EUA e os outros livros tiveram tiragens gigantes. Em ambos os casos, em que as editoras diferenciaram essas escritoras dos milhares que tentaram? Nada. Receberam muitos "nãos", receberam pouca verba e quase nada de propaganda. Qual a diferença? Seus livros. Seus livros foram conquistando leitores que, além de ler, gostavam tanto que indicavam para outras pessoas. E as outras pessoas também gostavam a esse ponto. Ainda não inventaram propaganda mais efetiva do que um novo fã, sincero. Não adianta uma ou duas resenhas boas se chega em alguns outros leitores e eles não sentem aquele "tchan". 

Autores nacionais querem uma forma de ir divulgando o seu livro pela blogosfera sem gastar muito? Organizem booktours ou coloquem o livro para viagem no grupo Livro Viajante. Vocês irão "gastar" apenas um exemplar e a história vai chegar a 10, 20 pessoas. Além de terem resenhas sobre ele. Sendo bom, ele vai se espalhando aos poucos. Recebendo críticas, podem começar a trabalhar em um novo (ou retrabalhar o atual) para que ele seja melhorado.

Livro bom é livro bom. E livro bom vende. Não existe livro ruim, mas existem livros da moda. Existem os que ditam moda, os que seguem e os que chegam atrasados. Ou os que não trazem nada de novo. Os que não encantam. Porém existem aqueles com uma história atemporal. Que os personagens fascinam e a narrativa te faz entrar na história. Livro bom sempre vai vender. Pode demorar mais se o autor for desconhecido, mas vai vender. Não se preocupem.

12 comentários:

  1. Olá, Tami!!
    Adorei a sua colocação a respeito da polêmica e achei seu ponto de vista muito pertinente para cada questão que abordou. Generalizar ao dizer que TODOS os autores nacionais não sabem lidar com críticas é por si só um equívoco e vira e mexe vejo blogueiros fazendo isso. Eu sou escritora e blogueira e nunca aconteceu de receber comentários ofensivos dos autores que resenhei negativamente no blog. Muito pelo contrário, todos souberam compreender o meu posicionamento pois estão dispostos a melhorar.
    Sobre a NC, eles tem uma proposta bacana para o selo Novas Páginas que lançaram na Bienal, mas se vão priorizar os e-books aos livros impressos acho que não foi uma decisão acertada. O mercado de livros digitais no país ainda é incipiente e tem ainda a questão de a maioria não estar habituada a ler e-books. A Amazon acabou de chegar ao país e será uma questão de tempo para o Kindle se popularizar. Enfim, achei precipitada essa decisão, mas espero que dessa forma dê certo e proporcione a publicação de novos autores pelo selo.
    Acho que as editoras de médio e grande porte têm se restringido mais a lançar livros de autores que são da "casa". É difícil ver anúncio de um novo autor. =/
    Gostei do post, parabéns por se posicionar a respeito.
    Bjos.

    Mariana Ribeiro
    Confissões Literárias.

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  2. Discordo só de uma coisa... De que livros bons sempre vão vender. Mesmo porque a questão de "bom" é bem subjetiva (o que é bom para você pode não ser para mim e vice-versa). Posso citar vários exemplos de livros que considero bons mas que não possuem vendagem significativa. Do mesmo modo que posso citar livros que considero de "qualidade duvidosa" e que vendem como água. A questão é que o livro pode ser o livro mais bem escrito de todos os tempos, mas se não tiver um trabalho extra de marketing (seja por parte da editora ou mesmo do próprio autor) ele simplesmente não irá ao publico de maneira eficiente e consequentemente não venderá. É como se você fosse o melhor mestre cuca do mundo e não conseguisse convencer ninguém a comer sua comida rsrs.

    Ps: ótimo post.

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    1. Bom e ruim é sempre uma questão de gosto mesmo né? O mais em foco agora é o 50 tons, que muita gente acha ruim e (pelas vendas) muita gente acha maravilhoso.
      Mas ainda acho que, considerando livros em um mesmo nível de linguagem acessível (porque livros com linguagem muito culta ou filosófica tem um público diferente e mais restrito), se for bom - para uma maioria - vai acabar vendendo bem hora ou outra. Alguns demoram mais, outros menos. Até porque o autor também tem que continuar correndo atrás para divulgar, não dá para deixar só com a editora :)
      E obrigada!

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  3. Oi, Tami,

    Acho que nunca comentei em seu blog, puxa menina você falou tudo, fez ótimas colocações. O problema maior da blogsfera é justamente "falar pela boca do outro", e ai costuma-se a não se preocupar se o que você falou e ouviu tem algum fundamento. Quanto aos livros, acho que á maioria cria um mito sobre isso ou aquilo e segue a onda sem se identificar com o seu próprio eu. Sou uma leitora eclética que leio um pouco de tudo, então não passo por este "problema". Muito bom seu texto. Valeu!!! Verônica = Tribo do Livro

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  4. Parabéns pelo texto.
    Resumiu bastante o que pensava sobre todo esse assunto. =)

    beijos.

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  5. Parabéns pelo texto, viu? Realmente... Eu não leio muitos autores nacionais porque realmente minha lista de prioridades são livros que, bem, não foram lançados por autores nacionais! Ou então o autor não faz meu estilo, e eu também não conheço muitos livros de autores nacionais, ué.
    maravilhosomundodetinta.blogspot.com.br

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  6. Eu acho que algumas pessoas ainda têm aquela idéia fixa de 'livro brasileiro chato que o colégio mandou ler', ou 'livro brasileiro espírita', mas claro que não é só isso.

    Existe infelizmente o fator preço, minha filha e meus sobrinhos já me pediram livro brasileiro para ler e infelizmente substitui por outros estrangeiros mais baratos.

    As lojas on line quase nunca incluem 'best-seller' brasileiro nas promoções, pode reparar.

    Abraço de Luz e Paz

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  7. É um assunto complicado e envolve muita coisa. Paulo Coelho é brasileiro e vende muito pelo mundo todo. Depende de muita coisa. Mas concordo plenamente com você: livro bom sempre vende. Não importa a nacionalidade do autor.

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  8. Simplesmente adorei.
    Disse tudo.
    Não existe livro nacional ou estrangeiro.
    Existe livro bom e livro ruim. Ponto.
    Temos que valorizar o que é nosso sim. Mas por isso temos que elogiar o que não gostamos? Nem a pau.
    Muito boas as suas considerações.

    Bjus

    Nâna

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  9. Que existe preconceito é óbvio que existe!

    Não sabia dessa agonia toda em torno da NC. Que coisa heim!

    Muito bom o seu post, ;)

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  10. Gostei do post, na minha opiniao os autores tambem devem correr atras de vender seus livros eles conseguem que seus livros sejam impressos por uma editora grande mas tambem tem que correr atras. Nao deve esperar que a editora faça eventos ou coisa do genero a pessoa quando quer realmente algo ela vai atras

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  11. Concordo plenamente com suas palavras!

    Eu compro livros que, primeiramente, me chamam a atenção logo de cara. As vezes pela capa, pelo título, enfim. Tem livro que eu olho e penso: "tenho que levar". Simplesmente por ter despertado meu interesse. Enquanto há outros que já ouvi falar TANTO bem, que eu, com certeza, vou querer ler para saber o que há de tanto maravilhoso nele e, assim, tirar minhas próprias conclusões.

    Sou sincera... não costumo ler livros nacionais. Mas é como você disse, talvez porque pouco haja de recomendações.

    Eu creio que isso de preconceito literário em relação a nacionalidade do autor seja um tanto quanto desespero. Eu leio os livros que me dão vontade de ler, sejam eles gregos, americanos, japonês... tanto faz.

    Quanto a esse "barraco" da NC/twitter, eu não estava sabendo. Mas eu vou ser sincera com minha opinião. Creio que seja um direito deles. As editoras brasileiras (sabemos bem disso) já não têm tantos lucros pelo fato das remessas do brasil serem tão pequenas, comparadas a países de fora. Logo então, isso afeta o preço dos livros, que deve ser maiores por conta da baixa demanda. Acredito que se, de algum modo, a venda de livros nacionais não estavam trazendo lucros à eles, mesmo com divulgações (coisa que a NC tem bastante), eles têm o direito de cessar com a impressão de livros nacionais. Uma empresa tem que visar o lucro, realmente.

    Mas essa é minha opinião...

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