quarta-feira, julho 11, 2012

Resenha: Apátrida

. .


Apátrida 
Autora: Ana Paula Bergamasco
Editora: Todas as Falas
Páginas: 338
Link no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/127084
Sinopse: Uma pequena vila na Polônia. Uma menina repleta de vida. Um encontro. Vidas Ceifadas. Sonhos Destruídos. Infâncias Roubadas. As recordações da personagem Irena amarram o leitor na História do Século XX. Baseado no estudo dos fatos que marcaram a época, o palco da narrativa é a conturbada Europa pós Primeira Guerra Mundial, culminando com a eclosão da Segunda Grande Guerra e a destruição que ela provocou na vida de milhões de pessoas. A narradora conduz a exposição em primeira pessoa, e remete o leitor a enxergar, através de seus olhos, o cotidiano a que ficou submetida. É um relato humano, sincero e envolvente que revela a passagem da vida infantil feliz da menina, para o tumulto da existência adulta, cheia de contradições.
Resenha: Desde o momento em que me apaixonei pelo  "A vida em tons de cinza", quis ler mais livros sobre a Segunda Guerra. Quando vi que Apátrida estava viajando através do Skoob, não perdi tempo e me inscrevi para receber esse livro de que tanto falam bem. E agora, depois de lê-lo, me junto às centenas de pessoas que o elogiam. Então, hoje teremos mais uma resenha enorme.

A narrativa é feita por Irena, personagem principal do livro. O prólogo inicia com ela dando uma entrevista sobre o período da guerra, e no primeiro capítulo ela começa a contar sua história. Inicia com ela ainda pequena, contando sobre sua família e casa. Esse início pré-guerra achei um pouco devagar, mas essa ambientação e apresentação dos personagens é importante para a história. Após esse trecho a narrativa (e a guerra) começaram a se desenrolar de verdade e não consegui mais largar o livro.
"_ Você é jornalista. Portanto conhece parte da história. Diga-me, em qual local do mundo há vencedores numa guerra? O conflito só existe porque houve fracasso, seja o resultado que ele tiver. Sim, minha querida, os seres humanos são os únicos a compreenderem-se por palavras. Desenvolvem retóricas, dialéticas, gramáticas, filosofia e ética. Produzem os mais diversos tipos de linguagem. Estudam à exaustão a diplomacia e veem-se incapazes de chegar a uma solução pacífica. Os medos, os anseios, a ganância, a soberba, a hybris, a riqueza ou a pobreza impedem que compreendam seus iguais. A nossa forma de "inteligência" fez com que nos transformássemos em predadores. Algozes de nós mesmos. Ainda não consigo entender o grau de loucura com que uma pessoa se reveste para, seguindo ordens de seus superiores, matar seu igual ou atentar contra a vida de alguém" (Prólogo, pág. 9)
Irena nasceu em Lublin, na Polônia, e é a mais nova de oito irmãos. É muito amiga de Jacob, um menino judeu, por quem acaba se apaixonando. Devido a diferença de religião, eles não podem ficar juntos e acabam se casando com outras pessoas. Apesar da história ter esse fundo romântico, ela é muito mais do que isso.

O livro intercala pedaços do presente e do passado e, nesse caso, foi uma boa jogada. No início acabei me confundindo um pouco, mas depois que entendi  e as coisas começaram a ficar bem simples. Primeiro porque passei boa parte do livro curiosa: enquanto no "passado" Irena estava com um ou dois filhos, no presente estava com três. De quem era o último? Quem se tornou seu marido? (isso foi uma das coisas que gerou a minha "confusão" inicial). Outra parte interessante foi saber o desfecho de alguns personagens ainda "frescos" na nossa memória: em um capítulo era contado como Irena se distanciava de um personagem X e no próximo capítulo já pulava para o presente e alguém narrava o que havia acontecido com ele depois do acontecimento do passado. Uma boa ideia e que trouxe algumas surpresas para o livro.

Um assunto recorrente no livro é o preconceito. Não apenas aquele da guerra (judeus e alemães), mas preconceitos escondidos em várias situações, até alguns comuns hoje em dia, como com a religião e homossexualismo. As vezes o assunto é tratado de forma mais direta, e em outras é de forma sutil, fazendo com que julguemos precipitadamente algum personagem e depois nos jogando um balde de água fria sobre a sua realidade.
"Era a moça alemã. Ela observava-me de forma esquisita, superior. Ofereceu-me um copo de água. Eu o aceitei, mas não conseguia beber. Ela sorriu. Contou-me que ela me entendia. Ela tinha pena de mim. Sabia que a minha "raça" era inferior. Fraca. Suscetível de pena de um povo ignóbil como o judeu, os ciganos, os deficientes, os homossexuais." (pág. 130)
Tenho uma enorme dificuldade para decorar/entender a História, e esse livro me trouxe boas informações. Aprendi algumas coisas, como os conflitos contra os ciganos e as Testemunhas de Jeová. Todos os (horríveis) experimentos médicos feitos com gêmeos na guerra. Campos de concentração além de Auschwitz, como Treblinka e Chelmno. O que eram os guetos. E até a definição (e a razão) das pessoas apátridas. Talvez sejam assuntos simples e corriqueiros para algumas pessoas mas, como falei, sou péssima em história e tudo isso me foi novidade. Por isso e pela bela narrativa, esse livro aumentou ainda mais a curiosidade sobre a Segunda Guerra que o "A vida em tons de cinza" iniciou em mim.

Sobre a edição, confesso que, como falei anteriormente, estranhei a fonte utilizada. Não sei se por ser diferente da Times New Roman (mais comum nos livros) ou se era um pouco menor do que o que costumo ler (talvez os dois), mas inicialmente ficava um pouco perdida na página. Depois os olhos acabaram "acostumando" e não senti mais problemas. Percebi alguns errinhos de português, porém nada que atrapalhasse a leitura. A linguagem é um pouco mais complexa do que vi nos últimos livros que li, mas nada que dificulte a leitura. A imagem da capa, como vocês podem ver, é muito bonita e o fundo parece ser uma imagem do campo de concentração Birkenau.

É um livro lindo e tocante, que me emocionou em várias partes. Entrou para o grupo de livros queridos e que vou sair recomendando por aí. Agora, vou atrás de mais livros sobre esse assunto que cada vez me interessa mais: as guerras mundiais. 
"Será que se eu precisasse naquela situação, alguém viraria as costas, como fizemos para aqueles ciganos? O que poderíamos ter feito? O quê? As respostas não surgiam e mesmo que viessem era tarde demais. Naquele dia constatamos a nossa impossibilidade para ajudar o próximo." (pág. 109)
Recomendo: para quem gosta de segunda guerra, ou quer aprender um pouco mais sobre o assunto. Quem gostou de "A vida em tons de cinza" também deve gostar desse livro (e vice-versa).

10 comentários:

  1. Bah esse livro é ótimo! Um dos poucos livros que me fez sentir muito triste. A autora conseguiu evidenciar a dor e sofrimento do período, eu adorei.
    Mas concordo, eu também detestei a fonte utilizada, não conseguia ler o livro sem ficar com dor de cabeça :(
    O marcador do livro é lindo também.

    ResponderExcluir
  2. Nunca li esse livro e pela resenha pude ver que é uma história muito triste ! Eu não sou fã de histórias tristes por isso despenso essa leitura não porque o livro é ruim mas porque história tristes me fazem chorar !

    ResponderExcluir
  3. Oi, Tami!
    Adoro esses livros sobre a segunda guerra, eles sempre me fazem chorar muito. E muitos dos personagens nos marcam para toda a vida. Ainda não li Apátrida, mas ele parece ser um desses.

    Beijos!

    ResponderExcluir
  4. Tami, eu já tive vontade de ler esse livro. A vontade durou por um bom tempo, mas eu acabei desistindo por que acho o tema Segunda guerra bem pesado, de verdade. Só li O Menino do Pijama Listrado, até agora, e gostei bastante porque ele não foca em Hitler, então foi de boa. Mas vendo pelo lado de aprende rum pouco mais de História eu volto a ter vontade de ler, hehehe

    Gislaine,
    jeito-inedito.blogspot.com

    ResponderExcluir
  5. Adoro livros históricos. É legal porque justamente dá pra aprender, entender como antigamente era diferente de hoje e o por que disso. Entre outras tantas coisas.
    Já li "o menino de pijama listrado" e "a menina que roubava livros" que são passaram nessa época. Gostei muito de ambos, com esse provavelmente não vá ser diferente.
    Eu fico imaginando como deve ter sido terrível viver nessas épocas, principalmente nas áreas onde as guerras mais afloraram. Esse livro deve retratar bem essa agonia que as pessoas deviam sentir.

    ResponderExcluir
  6. eu tenho tanta vontade de ler livros que se passam durante uma guerra, ou pós-guerra. Mas tenho medo de ser uma leitura cansativa e toda rebuscada, dificil de ententer.
    Não sei o porque que acabei criando essa birra, mas quero ler qualquer dia algum livro assim, ainda mais que "Apátrida" foi uma brasileira quem escreveu :D

    ResponderExcluir
  7. Oi..

    Como faço história sou apaixonada por tudo que envolve a história.. E para a Alemã tem uma história tão interessantes.. Achei o livro muito interessante.

    ResponderExcluir
  8. Sabe aquele momento em que nos arrependemos profundamente de algo? Então, acabo de me arrepender de não ter entrado no Book Tour dele no LV, eu teria sido a primeira... Passado esse sentimento (ou quase) só tenho uma coisa a dizer: Tami, vou parar de entrar no seu blog. Mulher, minha lista de desejados não para de aumentar!! Muito, muito boa suas resenhas e essa não foi diferente, é por isso que adoro seu blog.
    Agora... Vou ver se ainda dá para entrar na LV, nem que seja na lista de espera. Ou então comprar, se não der aí vou recorrer essa opção.
    Abraços, adorei mesmo essa resenha ^^,

    Pode ignorar a frase abaixo, não tem nada de importante.
    EU TENHO QUE LER ESSE LIVROOOOOOO!!!!

    ResponderExcluir
  9. não gosto mt de livros que falem sobre guerras, mas amei a capa!
    ele parece ser um ótimo livro,mas sei que seu eu lesse, ficaria cansada,não sei explicar, gosto é gosto né rs
    parabéns por trazer livros diferentes pra gnt conhecer, bjs !

    ResponderExcluir
  10. Gostei bastante da capa, ainda não tinha ouvido falar desse livro mais depois de ler sua resenha super empolgada sobre o livro, vc acabou me convencendo de ler esse livro. Gosto muito de livros que falam sobre eventos do passado e presente na mesma história, acho muito legal.

    Espero ler em breve esse livro, adorei a resenha ficou ótima.

    ResponderExcluir