quinta-feira, maio 31, 2012

Resenha: O menino do pijama listrado

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O menino do pijama listrado
Autor: John Boyne
Editora: Cia. das Letras
Páginas: 186
Link no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/101
Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os Judeus. Também não faz idéia de que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos de que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e, para além dela, centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com um frio na barriga. Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. 
Resenha: As vezes o problema de se ler um livro famoso é que vamos com muita expectativa, esperando encontrar uma história maravilhosa e que mude a nossa vida. Não posso dizer que achei o livro ruim (de maneira nenhuma), mas não considero o melhor que já li sobre a segunda guerra.
"Certa tarde, quando Bruno chegou em casa vindo da escola, surpreendeu-se ao ver Maria, a governanta da família - que sempre mantinha a cabeça abaixada e jamais levantava os olhos do tapete, - de pé no seu quarto, tirando todos os seus pertences do guarda-roupa e arrumando-os dentro de quatro caixotes de madeira, até mesmo aquelas coisas que ele escondera no fundo e que pertenciam somente a ele e não eram da conta de mais ninguém." (pág. 9, parágrafo inicial)
Toda a história é contada do ponto de vista de Bruno, um menino de nove anos. O pai de Bruno é um Comandante do Fúria, e por causa do seu importante trabalho (que o menino nunca entende exatamente o que é), é obrigado a se mudar com a família para Haja-Vista. Durante todo o livro ele tenta entender porque foi obrigado a abandonar sua enorme casa e seus melhores amigos para ir morar em uma fazenda. E porque todos os seus novos vizinhos vivem de pijama. E porque eles estão separados por uma enorme cerca.

A primeira coisa que, apesar de ser característica do livro, me incomodou foi Bruno só mencionar as palavras Fúria e Haja-Vista, sem que nenhum outro personagem diga os "reais" nomes das coisas. Fúria é como Bruno chama o Führer, e Haja-Vista é Auschwitz. Fúria é algo simples de se associar, de acordo com a história. Já Haja-Vista confesso que só fiz a ligação em uma conversa depois de ter lido o livro. Acho que não custava algum outro personagem mencionar isso pois, assim como eu, talvez outras pessoas não façam a ligação diretamente. 

Outra coisa característica que me incomodou no livro foram as repetições. Sempre que Bruno lembra de sua casa antiga, por exemplo, as mesmas frases são colocadas: "pequeno quarto onde, se ele ficasse na ponta dos pés e segurasse firme no parapeito da janela, era possível ver até o outro lado de Berlim". Uma ou duas vezes até entendo, mas para um livro tão pequeno não gostei da repetição.

Para mim, o livro só realmente engrenou quando Bruno conhece Shmuel, o menino do outro lado da cerca - que, convenhamos, é o que todo mundo espera quando começa a ler o livro. Só que esse encontro só vai acontecer lá pela metade da história! Achei que poderia ser melhor aproveitado e ter mais espaço no livro.

Apesar de tudo, é bonito ver a inocência de uma criança nesse contexto de guerra. Ele não tem ideia do que acontece ao seu redor, só sabe que não gosta de alguns colegas do pai e que nunca pode entrar no escritório dele. As conversas entre Bruno e Shmuel são lindas, em especial por Bruno não entender porque seu amigo é tão diferente dele.
"Foi o que nos deram para vestir, quando chegamos aqui", explicou Shmuel. "Levaram embora todas as nossas roupas."

"Mas não chega uma hora em que você acorda pela manhã com vontade de vestir outra coisa? Deve haver alguma outra roupa no seu armário." (pág. 133)
O final é emocionante, a história é triste e bonita. Sei que citei um número razoável de coisas que não gostei muito no livro, mas isso é principalmente por ter ido com uma expectativa extremamente alta para lê-lo. Tenho certeza de que se tivesse lido sem nunca ter ouvido falar na história, minha resenha seria diferente. Apesar de tudo, recomendo a leitura para quem gosta desse contexto de segunda guerra. É um livro super rápido (pequeno) e tranquilo de se ler, além de dar uma visão um pouco diferente do que estamos acostumados. Só não façam que nem eu e vão com tantas expectativas assim.

Após a leitura, fiquei muito interessada em ver o filme - em especial porque os pontos que considerei negativos no livro devem ser melhor explicados no filme. E também fiquei curiosa para ler o outro livro de John Boyne ("O garoto no convés").

7 comentários:

  1. Eu gostei mais do livro do que do filme. Ao final do livro fiquei impactada e remoendo a história por dias. Beijocas!

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  2. Nunca li o livro, mas ja vi o filme e sei o quanto é emocionante :S chorei demais assistindo o filme e fico imaginando o quanto choraria lendo o livro. Ao ler sua resenha, lembrei de um livro que acabei de ler esses dias pra trás, O arquiteto do esquecimento, que também conta sobre o Holocausto, 2ª Guerra M. e esses assuntos. Adorei sua resenha !

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  3. Assim como a Vivi, também gostei mais do livro do que do filme. Acho que o filme não conseguiu reproduzir o narrador infantil e inocente do livro, que, para mim, é a graça da obra.

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  4. Eu nem sabia que existia o livro enfimkk já assisti o filme (na escola pra variar) e achei muito triste :/

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  5. Não li o livro e nem assisti o filme, mas fiquei com muita vontade de ler, já tinha ouvido falar dele e me interessei. Pena que é triste né? ;)

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  6. Ahhhhhh! Eu já assisti o filme. Há muito tempo! Mas foi tão lindo e emocionante.
    É uma história muito, muito triste. Mas é magnífica!
    Morro de vontade de ler o livro, pois os livros nos emocionam mais e você se sente bem mais emocionada e, consequentemente, viaja mais. Enfim, entre livros e filmes, prefiro os livros. Por isso quero muito ler...

    Mas para quem não leu ainda, está mais que recomendado! É lindo :')

    Beijos

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  7. É lindo o livro! Eu tinha lido sem nem conhecer a estória então realmente achei o livro mais interessante do que você achou, nem liguei para as repetições e quando elas apareciam eu simplesmente pulava-as ^^
    O filme não explica muitas coisas, mas explica o sumiço do judeu que trabalhava lá na casa, sabe o ex-médico, e mostra uma cena que não tem no livro

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