terça-feira, janeiro 03, 2012

Resenha: A vida em tons de cinza

. .


A vida em tons de cinza
Autora: Ruta Sepetys
Editora: Arqueiro
Páginas: 240


Sinopse: 1941. A União Soviética anexa os países bálticos. Desde então, a história de horror vivida por aqueles povos raras vezes foi contada. 
Aos 15 anos, Lina Vilkas vê seu sonho de estudar artes e sua liberdade serem brutalmente ceifados. Filha de um professor universitário lituano, ela é deportada com a mãe e o irmão para um campo de trabalho forçado na Sibéria. 
Lá, passam fome, enfrentam doenças, são humilhados e violentados. Mas a família de Lina se mostra mais forte do que tudo isso. Sua mãe, que sabe falar russo, se revela uma grande líder, sempre demonstrando uma infinita compaixão por todos e conseguindo fazer com que as pessoas trabalhem em equipe. 
No entanto, aquele ainda não seria seu destino final. Mais tarde, Lina e sua família, assim como muitas outras pessoas com quem estabeleceram laços estreitos, são mandadas, literalmente, para o fim do mundo: um lugar perdido no Círculo Polar Ártico, onde o frio é implacável, a noite dura 180 dias e o amor e a esperança talvez não sejam suficientes para mantê-los vivos. 
A vida em tons de cinza conta, a partir da visão de poucos personagens, a dura realidade enfrentada por milhões de pessoas durante o domínio de Stalin. Ruta Sepetys revela a história de um povo que foi anulado e que, por 50 anos, teve que se manter em silêncio, sob a ameaça de terríveis represálias.
Resenha: Período da Segunda Guerra Mundial. O primeiro nome que as pessoas associam à essa época é Hitler. Esse livro fala um pouco do outro lado da guerra, o de Stalin. Stalin foi um tirano assim como Hitler - estima-se que matou mais de 20 milhões de pessoas entre deportações e execuções. 20 milhões. Por que então ele é menos lembrado que Hitler nessa época? Esse livro te ajuda a entender.
– Os alemães estão matando gente na Lituânia? – indagou Jonas.
– Seu menino idiota, será que você não sabe – retrucou o velho. – Hitler está matando os judeus. E é bem capaz de os lituanos o estarem ajudando.
– O quê – falei. 
– Como assim? Hitler expulsou Stalin da Lituânia – disse Jonas.
– Isso não faz dele um herói. Será que vocês não entendem que o nosso país está condenado? Pouco importa na mão de quem nós vamos cair. Nosso destino é a morte – disse o careca. (Pg. 130)



O livro é contado sobre o ponto de vista de Lina, uma menina de 15 anos e que não entende muitas coisas que estão acontecendo - mas aos poucos começa a compreender. Ela e sua família são retirados a força de casa pela NKVD, a polícia secreta - hoje conhecida como KGB - e enviados para campos de trabalho em condições deploráveis.

A história mescla o terror da realidade com algumas lembranças de Lina, completamente contrastantes. Algumas lembranças te fazem entender um pouco melhor a história, e ver a inocência que pairava sobre a cabeça de Lina antes de tudo isso acontecer. São passagens emocionantes.

– Tadas disse a uma das meninas que o inferno é o pior lugar do mundo e que não há como escapar de lá por toda a eternidade.
– Por que Tadas falou em inferno? – perguntou papai, estendendo a mão para pegar os legumes.
– Porque o pai dele disse que, se Stalin entrar na Lituânia, é lá que todos nós vamos parar. (Pg. 129)

É interessante ver o paralelo com Hitler na história também. Como mostrado no trecho da página 130, por algumas vezes os deportados por Stalin consideraram que Hitler seria o salvador deles, completamente sem noção do que estava acontecendo no mundo. Já pensaram o terror que essas pessoas estavam vivendo para considerar que Hitler seria o seu salvador?

Um livro com uma realidade impressionante. Ruta (escritora) foi até a Lituânia, chegou a conseguir entrar em uma das prisões, conversou com sobreviventes. É uma história de ficção baseada em relatos reais. Só pelo vídeo que foi mostrado no post do livro desejado vocês já podem ter uma noção do que é o livro.

Mesmo depois dos sobreviventes voltarem para casa, 15 anos depois de ficarem como deportados, ninguém podia comentar nada. Eles voltaram para o seu país sem nada, sem casa, sem nome, sem família. A polícia do governo tinha retirado tudo deles. Voltaram como bandidos, eram constantemente vigiados. Qualquer menção a esse período era crime, poderiam até ser executados. A história desse livro é a história de um povo que foi calado.

Tem apenas um detalhe que o livro não trata, que gostaria que fosse contado: como os sobreviventes voltaram para casa. Não é nada que influencie na história do livro, e nem considero como algo faltante na história, mas depois que terminei o livro fiquei bem curiosa para saber.

Recomendo demais a leitura!

4 comentários:

  1. Oiee!
    Adorei a resenha! Não conhecia o livro, mas deixou em mim uma vontade de ler! Parece ser bem interessante a estória.
    Seguindo seu blog. Passa no meu? Se gostar, segue ;)
    http://coisasdemeninasarteiras.blogspot.com/
    Bjoo ;*

    ResponderExcluir
  2. Oi Neyla! Que bom que gostou :) O livro é muito bom mesmo, se tiver a oportunidade leia! Bjs

    ResponderExcluir
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  4. Esse livro deve ser INCRÍVEL!! Se der, vou pedir em parceria com a Arqueiro.
    maravilhosomundodetinta.blogspot.com.br

    ResponderExcluir