terça-feira, janeiro 17, 2012

Resenha: Precisamos falar sobre o Kevin

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Precisamos falar sobre o Kevin
Autora: Lionel Shriver
Editora: Intrínseca
Páginas: 464

Sinopse: Lionel Shriver realiza uma espécie de genealogia do assassínio ao criar na ficção uma chacina similar a tantas provocadas por jovens em escolas americanas. Aos 15 anos, o personagem Kevin mata 11 pessoas, entre colegas no colégio e familiares. Enquanto ele cumpre pena, a mãe Eva amarga a monstruosidade do filho. Entre culpa e solidão, ela apenas sobrevive. A vida normal se esvai no escândalo, no pagamento dos advogados, nos olhares sociais tortos.
Transposto o primeiro estágio da perplexidade, um ano e oito meses depois, ela dá início a uma correspondência com o marido, único interlocutor capaz de entender a tragédia, apesar de ausente. Cada carta é uma ode e uma desconstrução do amor. Não sobra uma só emoção inaudita no relato da mulher de ascendência armênia, até então uma bem-sucedida autora de guias de viagem.

Cada interstício do histórico familiar é flagrado: o casal se apaixona; ele quer filhos, ela não. Kevin é um menino entediado e cruel empenhado em aterrorizar babás e vizinhos. Eva tenta cumprir mecanicamente os ritos maternos, até que nasce uma filha realmente querida. A essa altura, as relações familiares já estão viciadas. Contudo, é à mãe que resta a tarefa de visitar o "sociopata inatingível" que ela gerou, numa casa de correção para menores. Orgulhoso da fama de bandido notório, ele não a recebe bem de início, mas ela insiste nos encontros quinzenais. Por meio de Eva, Lionel Shriver quebra o silêncio que costuma se impor após esse tipo de drama e expõe o indizível sobre as frágeis nuances das relações entre pais e filhos num romance irretocável.

Resenha: Complicado falar sobre um livro que li há muito tempo? Depende. Nesse caso não, porque a história continua bem presente na minha memória. E não vejo melhor momento para postar a resenha do que na semana de estreia do filme.

Precisamos falar sobre o Kevin é um livro perturbador. É quase como um terror psicológico que, por mais que já saibamos desde o início o ponto alto da história, não deixa de nos surpreender. Aliás, quantos livros você conhece que te dizem o climax da história logo na sinopse e mesmo assim continuam te prendendo?

Uma história que vai te abalando a medida que o tempo se passa. Que te faz entender a mente de uma mãe que rejeita o seu filho, e (devido a isso? A história nunca defende isso como uma consequencia direta) o crescimento de um psicopata. Ver um pouco da mente de uma criança totalmente ignorante aos sentimentos alheios. Tentar encontrar uma razão para uma ação sem motivos. Um final para ficar de queixo caído.


Não gosto de escrever uma crítica só com elogios, porque acho que não se deve começar a ler com uma expectativa muito grande. Mesmo assim, comecei com essa expectativa e ela foi superada. Precisamos falar sobre o Kevin já entrou na minha lista de livros preferidos.


Uma história de ficção que, infelizmente, cada dia se torna mais real.


2 comentários:

  1. Quero ler, adorei a sinopse e sua resenha :) na realidade parece com algum filme que eu vi há muito tempo, mas você falou que acabou de estrear... Realmente taí uma estória que eu gosto (minha prima tem razão, eu sou problemática, só assim para gostar de uma estória desse gênero rs)
    Beijos ;)

    chiadocarioca.blogspot.com

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  2. A sinopse é cativante e os elogios presentes na sua resenha ajudaram a aumentar a minha curiosidade.Pretendo ler o livro primeiro para depois assistir ao filme!Livros com essa temática são atraentes(para quem gosta do gênero,como no meu caso).
    Beijos

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