quinta-feira, dezembro 01, 2011

Professores

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Não tenho ideia de quantos professores já tive durante todo esse tempo. Ensino básico, fundamental, médio, faculdade... além de cursinho de inglês. Até meu pai foi - literalmente - meu professor. Será que contando todos chega em 100?

Nesses longos anos de estudo tive vários professores maravilhosos e, claro, meus preferidos. Até nem vou citar quais são porque vai que esqueço algum e justamente ele ou ela lê o texto! Ficaria mal para mim né?

Mas tenho uma professora que sempre me lembro com um grande carinho. Minha professora da 3ª série, Ana Vornicov Borba Steyer. 
Dificilmente hoje a reconheceria na rua se ainda tivesse oportunidade de encontrar com ela. Mesmo assim não esqueço das aulas. Dos finais de aula em que escrevíamos cartinhas para os colegas (e tenho todas guardadas até hoje). Dos textos que ela nos pedia para fazer.

Ela foi a professora que me fez gostar de escrever. De criar. De colocar no papel todas aquelas 500 coisas que eu imaginava por segundo. Lembro do meu orgulho quando a minha história do elefante que gostava de torta de amendoim foi para o jornalzinho do setor. Tenho guardada em algum lugar até hoje também.

Injustamente ela foi demitida do colégio no ano seguinte. Injustamente porque pesou sobre ela uma coisa completamente besta, de descuido de uma criança que - por não obedecer a professora - saiu correndo e quebrou o braço em um passeio. Podem ter dado outras desculpas para a demissão dela, mas desde a época sabíamos que esse fato iria pesar.

Continuamos em contato no outro ano - por cartas. Que criança hoje em dia se comunicaria com uma ex-professora por cartas? No máximo acho que adicionaria no Facebook ou algo do gênero. Enfim, com o tempo as cartas foram diminuindo a frequência e paramos de nos falar.

Nunca mais consegui notícias dela. Já procurei onde foi possível, coloquei alguns recados no (extinto) orkut, na comunidade do colégio para o qual ela foi trabalhar, mas nada. Nem uma suspeita.

Não sei se ela mantém todo o nome. Não sei a idade em que estão seus filhos - e se teve mais. Não vou lembrar do seu rosto se passasse por ela hoje, até porque não sei nem a sua idade atual. Não sei se ela continua morando aqui, ou se mudou. Não sei nada.

Só sei que muito do que escrevo hoje devo a ela. E que mantenho minhas cartinhas e histórias junto comigo. Para sempre. 

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