terça-feira, julho 05, 2011

Eu sou Alice

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Terminei, não faz muito, de ler um livro bem interessante: Eu sou Alice. Ele fala sobre a vida de Alice Liddell, a menina que, aos sete anos, foi a inspiração para Lewis Carroll criar o clássico "Alice no País das Maravilhas". Antes de começar a ler, não tinha ideia de que Alice tinha sido inspirado em uma menina, e muito menos sobre a vida de Lewis ou Alice.

Talvez fale um pouco mais do que deva para aqueles que gostariam de ler o livro, então quem não quer ficar sabendo da história, é melhor parar aqui.

O livro é de ficção - ou melhor, uma biografia romanceada. Tudo que se sabe sobre a vida de Lewis ou de Alice foi colocada no livro, e a autora preencheu os espaços da vida dos dois que não se tem informações. A história começa com Alice ainda criança, mostra a relação dela com suas irmãs, pais, criados e, claro, Lewis (que conhecemos por Charles Lutwidge Dodgson, nome verdadeiro de Lewis). Sabemos que Lewis é suspeito de ser pedófilo - um dos motivos para isso é o fato dele fazer muitas fotos de meninas pequenas quase (ou totalmente) nuas - e também por algumas declarações que ele deu em vida e um de seus livros, onde foram publicadas várias cartas que ele escreveu para suas meninas.

A autora nunca confirma nem desconfirma essa desconfiança: ela nos deixa com a mesma sensação de não saber. O que mostra no livro é que as três irmãs Liddell tinham grande afeição por Lewis, até mesmo o "disputavam". Alice era, na época, apaixonada por ele. E ele tinha um ernome carinho e atenção por ela. Muito provavelmente paixão, mas o livro não retrata.
Na vida real e no livro, acontece algo que separa para sempre a família Liddell da amizade com Lewis - e que faz até a mãe de Alice queimar todas as cartas que ele a enviou. O que, de verdade, aconteceu, a história nunca contou. Alice, Lewis, ou qualquer parte da família nunca mencionaram esse abrupto rompimento.

Quando adolescente Alice se apaixona por um príncipe que vai estudar em Oxford. Na vida real esse romance não passou de vários rumores, mas na história ele acontece. E é lindo, perfeito, como se duas pessoas fossem feitas uma para a outra. Porém Alice não é da realeza, e não pode se casar com o príncipe. Acabam por terminar o relacionamento em uma fase muito triste da vida de Alice.

Um tempo depois, já mais adulta e já sendo apelidada de "solteirona", Alice se casa com um proprietário de terras.
Fatos:
1. No dia do casamento, ela usa um broche enviado pelo príncipe.
2. O nome do seu primeiro filho é Leopold (nome do príncipe).
3. O nome da primeira filha do príncipe é Alice.
Depois desses três detalhes conhecidos da vida dos dois, alguém ainda desconfia de que realmente houve um romance?

No livro a autora descreve a relação de Alice com o seu marido. Ela gosta dele, tem um grande afeto, reconhece todas as suas qualidades... mas ele não é o príncipe. Ela não é apaixonada pelo homem com quem se casou. É uma parte bem triste do livro, principalmente quando ela começa a pensar no passado. Felizmente, depois de um tempo, Alice revê seus sentimentos.

Alice e Reginald tem três filhos - dois morrem na guerra. Após a morte do seu marido, Alice fica quase na pobreza. E daí decide enfrentar o seu passado. Lewis mandava cada nova edição de "Alice no País das Maravilhas" que era lançada. Alice resolve, finalmente, ler o seu livro por completo. E vender o manuscrito original para conseguir dinheiro.

Um fato muito interessante é que Alice, já idosa, encontra o menino que deu origem ao Peter Pan (e esse encontro realmente aconteceu). No livro, Peter Pan é retratado como um adulto que não aguenta o fardo de ser uma criança para sempre, inclusive perguntando para Alice como ela aguentou tanto tempo. Algo que pode ser verdade, visto que Peter Pan cometeu suicídio tempos mais tarde.

Mesmo sabendo que era ficção, foi praticamente impossível não acreditar em tudo que Melanie Benjamin escreveu. Tudo fez tanto sentido, se encaixou tão bem na história, mesmo aqueles pensamentos mais íntimos da protagonista. Saí acreditando que toda a história era real e dificilmente vou substituir isso na minha cabeça.
Mas falando em eterna criança, depois de ler o livro fica a pergunta: será que vale a pena ser eternizado assim? Todos os conflitos e pensamentos da personagem em grande parte da sua vida se resumem em um trecho:

“Ai, meu Deus estou cansada de ser Alice no País das Maravilhas. Será que estou parecendo uma ingrata? Acho que sim. Mas é que estou tão cansada...”


2 comentários:

  1. desculpas, desculpa, mas vc escreveu C.S.Lewis, não dá... isso não dá, você já deve saber que é Lewis Carroll, talvez vc ache que agora não tem mais importância por que já faz uns 5 anos, mas é que isso me chamou mais atenção que toda a resenha

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    1. Nossa, verdade!! Imagina, tem importância sim, ainda mais em um blog sobre livros!
      Foi um erro bem besta, obrigada pelo aviso :)
      (PS: apaguei os comentários que vieram repetidos)

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