quinta-feira, junho 23, 2011

A perfeição do passado

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Acabei de ver o filme Meia-Noite em Paris. Não sabia o que esperar dele, mal tinha visto trailer, resenhas ou críticas. Fui um pouco no escuro e não me arrependo, o filme é fantástico (vou evitar fazer spoilers). Ele trata de algo muito interessante: a ideia que algumas pessoas tem de que outra época era muito melhor que essa, ou que se tivessem outra vida seriam muito melhores. A ideia da perfeição daquilo que está longe.

No filme, o protagonista é apaixonado por Paris, especialmente Paris dos anos 20. E ele tem a oportunidade de conhecer essa Paris. Com o tempo ele percebe que ele acha isso perfeito porque não viveu naquela época, e conhece apenas a parte poética, bonita.

Constantemente vivemos assim. Quem não tem um amigo ou amiga que se diz apaixonado pelos anos 70, 80, proclamando aos quatro ventos que teria sido perfeito nascer naquela época? Pessoas que querem a todo custo sair do lugar onde vivem, morar em uma cidade fabulosa que visitaram? Todo mundo tem, no fundo, esse senso de só ver as qualidades daquilo que mal conheceu, e adorou. É realmente fácil achar perfeito algo que não se conhece profundamente.

Ou que conheceu. Essa sensação de perfeição também é muito comum no fim de um relacionamento. Seja qual dos lados que terminou, e por qual motivo, pelo menos em alguma hora a pessoa esquece todos os motivos que a levou a terminar e começa a lembrar só das coisas boas. E lembra tanto disso que nem consegue lembrar mais os motivos que causavam brigas, do tempo que parecia se arrastar. É fácil lembrar até de coisas bem do início do namoro, coisas que foram esquecidas com o tempo. Esquecemos de tudo o que tinha de defeitos, lembramos de todas as qualidades e não conseguimos mais entender o porque do término. Ficamos com essa sensação de perfeição que não sabemos muito bem de onde vem.

Creio que as pessoas são naturalmente insatisfeitas. Acho isso bom, leva todos a crescer e buscar mudanças. O problema é quando a pessoa se prende na ideia de que só seria feliz se estivesse em outro lugar, em outro tempo, e não busca mudar - espera que o resto do mundo mude. Daí não tem Paris que resolva.

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